Comandante dos EUA na América Latina se demite em meio a dúvidas sobre ação na Venezuela

Foto: REUTERS/Martin Cossarini

Washington (EUA) – O almirante Alvin Holsey, comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares na América Latina e Caribe, deixará o cargo e se aposentará ainda este ano, segundo anunciou o secretário de Guerra, Pete Hegseth, nesta quinta-feira (16).

A saída do almirante ocorre em meio ao aumento das tensões com a Venezuela, após uma série de bombardeios norte-americanos contra embarcações no Caribe, sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas.

De acordo com o The New York Times, a aposentadoria antecipada de Holsey está diretamente ligada a divergências políticas dentro do Pentágono. O militar teria expressado reservas sobre os ataques navais e questionado a legalidade das operações, conduzidas em águas internacionais.

Bombardeios e críticas internacionais

Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA atacaram ao menos cinco barcos que navegavam próximos à costa venezuelana, resultando em 27 mortes, segundo estimativas divulgadas pela imprensa americana.

As ações vêm sendo duramente criticadas por organizações de direitos humanos. A Human Rights Watch classificou os ataques como “execuções extrajudiciais ilegais”, afirmando que os bombardeios violam o direito internacional humanitário. O tema já foi levado ao Conselho de Segurança da ONU.

Apesar das críticas, a Casa Branca afirma que as operações têm como objetivo “combater o narcotráfico internacional”. Fontes do governo, porém, disseram ao New York Times e à Reuters que o verdadeiro foco seria pressionar o regime de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

Escalada militar

Atualmente, oito navios de guerra e um submarino nuclear dos EUA estão posicionados em uma área próxima à costa venezuelana. Além disso, caças foram deslocados para Porto Rico, ampliando a presença militar americana no Caribe.

Na quarta-feira (15), o presidente Donald Trump confirmou ter autorizado operações secretas da CIA em território venezuelano, mencionando inclusive “ataques direcionados” a cartéis de drogas. Questionado sobre se tais ações poderiam incluir a eliminação de Maduro, Trump evitou responder diretamente.

O presidente ainda defendeu as ofensivas navais, dizendo que “cada barco detonado salva 25 mil vidas de americanos”, embora não tenha apresentado provas que sustentem essa estimativa.

Saída inesperada

O Departamento de Guerra não explicou os motivos da aposentadoria antecipada de Holsey, que assumiu o Comando Sul há menos de um ano — o tempo médio no posto costuma ser de três anos.

Em uma publicação nas redes sociais, Hegseth agradeceu ao almirante por “décadas de serviço exemplar” e destacou seu “legado de excelência e visão estratégica”.

Nos bastidores, porém, autoridades do Pentágono ouvidas pelo New York Times afirmaram que os elogios públicos “mascaram tensões políticas reais” entre o secretário e o comandante, especialmente sobre a condução das ações militares contra a Venezuela.

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