Governo Trump anuncia operação ‘Lança do Sul’ sob alegação de combater narcotráfico

Ação será conduzida pelo Comando Militar Sul, que reforçou presença no Caribe em meio a tensões com a Venezuela
Foto: Andrew Harnik/Pool via REUTERS

EUA – O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quinta-feira (13) o início da operação militar “Lança do Sul”, iniciativa que, segundo ele, tem como objetivo combater “narcoterroristas” e proteger o território americano do tráfico de drogas.

Hegseth fez o anúncio em uma publicação na rede social X, afirmando que a ação será liderada pela Força-Tarefa Conjunta Southern Spear em conjunto com o Comando Militar Sul, responsável por operações no Caribe e na América Latina.

Embora o local exato das ofensivas não tenha sido divulgado, a operação ocorre em meio ao aumento da presença de navios e aeronaves de guerra dos EUA próximos à costa da Venezuela — movimento que o governo de Nicolás Maduro classifica como preparação para uma possível invasão.

“Essa missão defende nossa pátria, remove narcoterroristas do nosso hemisfério e protege nossa população das drogas que estão matando nosso povo. O hemisfério Ocidental é a vizinhança da América – e nós o protegeremos”, declarou Hegseth.

A iniciativa não é inédita. Em janeiro, o Comando Sul já havia divulgado uma operação com o mesmo nome — Southern Spear — destacando a implantação de sistemas robóticos autônomos para rastrear e monitorar rotas de tráfico ilícito na região.

Maior porta-aviões do mundo na região

Nesta semana, a Marinha dos EUA anunciou que o USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do planeta, chegou à área operacional da América Latina. O navio foi destacado para apoiar ações de combate a organizações criminosas transnacionais, reforçando a presença militar americana no Caribe.

A força-tarefa do porta-aviões se soma à já robusta estrutura militar dos EUA na região, incluindo navios de guerra, caças, helicópteros de operações especiais e bombardeiros.

Nos últimos dois meses, os Estados Unidos afirmam ter destruído mais de 20 embarcações no Caribe e no Pacífico, em ações que deixaram mais de 70 mortos. Segundo o Comando Americano, os alvos pertenciam a organizações narcoterroristas.

Os ataques começaram em setembro, pouco depois de o governo americano dobrar para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de liderar o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista internacional. Nesse cenário, autoridades americanas consideram que Maduro poderia até se tornar alvo legítimo em ações contra cartéis.

Possíveis negociações

Em meio às tensões, a revista The Atlantic revelou que Maduro estaria disposto a negociar sua saída do poder, desde que recebesse anistia e garantias de segurança para viver no exílio.

A operação “Lança do Sul” tende a elevar ainda mais a tensão entre Washington e Caracas, que já vive seu período mais delicado em anos.

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