Número de mortos em incêndio em complexo residencial de Hong Kong chega a 146

Foto: Peter Parks / AFP

Hong Kong – O número de mortos no incêndio que devastou o complexo de apartamentos Wang Fuk Court, em Tai Po, Hong Kong, subiu para 146 neste domingo (30), após novas equipes de resgate encontrarem corpos entre os escombros dos prédios destruídos. A tragédia já é considerada um dos piores incêndios urbanos da história da cidade.

A Unidade de Identificação de Vítimas de Desastres da polícia local segue realizando buscas minuciosas nos sete blocos que compõem o condomínio. Corpos foram encontrados dentro de apartamentos e até em telhados, informou o oficial responsável, Cheng Ka-chun, que destacou a dificuldade do trabalho em ambientes escuros e instáveis. Até o momento, apenas quatro blocos foram totalmente examinados.

De acordo com Tsang Shuk-yin, chefe da unidade de vítimas da polícia, outros 30 corpos foram localizados nas últimas horas, incluindo 12 que já haviam sido identificados pelos bombeiros, mas ainda não retirados. Além dos mortos, 100 pessoas permanecem desaparecidas e 79 ficaram feridas.

Enquanto as buscas continuam, um memorial improvisado cresce em frente ao complexo. Centenas de pessoas visitaram o local neste domingo para deixar flores, bilhetes e fazer orações pelas vítimas.
“É de partir o coração”, disse Jeffery Chan, servidor público que prestou homenagens. “Perder famílias inteiras em uma única noite é insuportável.”

Fogo se espalhou rapidamente por andaimes e materiais inflamáveis

O incêndio começou na tarde de quarta-feira (27) em uma rede de andaimes no andar térreo de um dos edifícios. As chamas avançaram de forma acelerada devido aos andaimes de bambu cobertos com redes de náilon e painéis de espuma instalados nas janelas para obras de renovação. Os materiais pegaram fogo com facilidade e fizeram janelas explodirem, permitindo que o incêndio se espalhasse rapidamente entre os oito prédios.

Segundo Andy Yeung, diretor do Corpo de Bombeiros, parte dos alarmes de incêndio do complexo — que abrigava muitos idosos — não funcionou durante testes realizados após a tragédia, o que reforça suspeitas de negligência.

Impulsionadas pelo vento, as chamas tomaram sete blocos em poucos minutos, no maior incêndio desde o desastre de um armazém em 1948, que deixou 176 mortos. O mais mortal da história de Hong Kong, contudo, foi o incêndio do Hipódromo, em 1918, que matou mais de 600 pessoas.

Construtora é investigada e obras são suspensas em 28 projetos

O governo de Hong Kong ordenou a suspensão imediata de 28 obras executadas pela empreiteira Prestige Construction & Engineering Company — responsável pela renovação estrutural do Wang Fuk Court — para auditorias de segurança.

Autoridades afirmaram que o uso extensivo de placas de espuma bloqueando janelas, aliado aos andaimes, pode ter intensificado o desastre.

Três diretores da construtora foram presos sob acusação de homicídio culposo, mas libertados sob fiança. Eles foram detidos novamente por autoridades anticorrupção, junto com mais oito suspeitos, incluindo subempreiteiros de andaimes e gestores do projeto.

Desalojados e mobilização internacional

O complexo Wang Fuk Court, construído na década de 1980, tinha quase 2 mil apartamentos e mais de 4.600 moradores. Muitos agora estão abrigados temporariamente em centros públicos e hotéis.

Entre as vítimas estão sete trabalhadores migrantes indonésios, além de uma empregada doméstica filipina. Outras 12 pessoas das Filipinas permanecem desaparecidas. A tragédia mobilizou manifestações de solidariedade: ruas da região central de Hong Kong foram tomadas por filipinos que cantaram e oraram pelas vítimas neste domingo.

China anuncia inspeção nacional de prédios altos

O Ministério de Gestão de Emergências da China anunciou uma inspeção nacional de segurança contra incêndios em edificações altas, com foco em:

  • andaimes de bambu,
  • redes de segurança inflamáveis,
  • sistemas de sprinklers,
  • hidrantes,
  • alarmes automáticos

O governo chinês tenta evitar que outros acidentes ocorram em meio ao aumento de incêndios envolvendo reformas e andaimes no país.

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