Operação Erga Omnes: Líder político de facção fugiu de SP e usava igrejas para esconder drogas no Amazonas

Alan Kleber é procurado pela PC-AM após escapar de cerco policial; investigação revela infiltração da organização criminosa em comissões de licitação, forças de segurança e no Judiciário.

Manaus (AM) – Deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na manhã desta sexta-feira (20/2), a operação “Erga Omnes” desarticulou um esquema que unia o tráfico internacional de drogas à influência política em órgãos públicos. O principal alvo e líder do núcleo político do grupo, Alan Kleber, conseguiu escapar de uma abordagem em São Paulo por volta das 3h da manhã e é considerado foragido. A esposa dele foi presa na mesma ação.

Segundo o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Alan utilizava uma fachada religiosa para operar. Ele se apresentava como fiel de uma igreja evangélica no bairro Zumbi dos Palmares, na zona Leste de Manaus, onde já teria chegado a esconder entorpecentes dentro do templo para despistar autoridades.

O que mais chamou a atenção dos investigadores foi o alcance da organização dentro das instituições do Estado. A operação aponta a participação de servidores e ex-servidores de órgãos municipais, do Legislativo, Executivo e até do Judiciário.

Entre os detidos está Anabela Cardoso de Freitas, integrante da comissão de licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete pessoal do prefeito David Almeida até 2023.

A rede de proteção do grupo contava com a colaboração de uma policial civil e um policial militar (identidades preservadas para as próximas fases da investigação).

Além de Alan, outro alvo da operação residia em uma igreja, reforçando a tese de que o grupo utilizava instituições religiosas para lavagem de dinheiro e logística.

A Rota do Tráfico e Empresas Fantasmas
A engenharia logística do crime era complexa. As drogas eram coletadas em Tabatinga, na fronteira com a Colômbia e o Peru, e transportadas por empresas de logística de fachada com sedes no Amazonas e no Pará.

Essas “empresas fantasmas” garantiam o escoamento dos entorpecentes para outros estados brasileiros, simulando o transporte de mercadorias lícitas. O nome da operação, Erga Omnes, vem do latim e significa “vale para todos”, uma alusão de que ninguém, independentemente do cargo público ou posição social, está acima da lei.

Próximos Passos
A PC-AM segue em diligências para localizar Alan Kleber e identificar outros membros do Judiciário e do Legislativo que possam ter recebido vantagens indevidas da organização. A Prefeitura de Manaus e os órgãos envolvidos ainda não emitiram notas oficiais sobre a prisão dos servidores citados.

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