Operação revela esquema com infiltração de servidores públicos no tráfico e lavagem de dinheiro no Amazonas

Investigação aponta atuação estruturada com divisão entre núcleos operacional e financeiro; servidor do TJAM, policial civil, PM e ex-assessores parlamentares estão entre os alvos
Reprodução Rede Amazônica

Manaus (AM) – A Operação Erga Omnes, deflagrada nesta sexta-feira (20/2) pela Polícia Civil do Amazonas, revelou indícios de um esquema criminoso que, segundo as investigações, contava com a participação de servidores públicos e ex-assessores parlamentares na engrenagem do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro no estado.

O esquema era liderado por Allan Kleber Bezerra, apontado como líder político do Comando Vermelho. Ele está foragido. A esposa do acusado foi presa na manhã de hoje durante a operação em São Paulo.

A ação, coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), tem como foco uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. De acordo com a polícia, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão clara de tarefas e possível infiltração em órgãos públicos.

Entre os principais alvos estão Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM); Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam); Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus; além de Lucila Meireles Costa, ex-assessora do vereador Rodrigo Guedes; Núbia Oliveira, ex-assessora parlamentar do ex-vereador Elissandro Bessa; Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar do vereador Raulzinho; e o policial militar Osimar Vieira Nascimento. Também são investigados Alcir Queiroga Teixeira Júnior, Bruno Renato Gatinho Araújo e Ronilson Xisto Jordão, preso em Itacoatiara.

Até o momento, as autoridades não detalharam as condutas individuais atribuídas a cada investigado.

Esquema começou a ser desvendado após grande apreensão

O inquérito teve origem em uma ação policial anterior que resultou na apreensão de mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo empregado na logística terrestre e diversos aparelhos celulares. Um suspeito foi preso em flagrante.

A quantidade de entorpecentes e o armamento apreendido levantaram a suspeita da existência de uma estrutura criminosa mais ampla, o que levou à abertura de investigação para identificar financiadores, operadores logísticos e possíveis colaboradores internos.

Divisão estratégica de funções

As diligências indicam que o grupo funcionava com núcleos distintos. O núcleo operacional seria responsável pelo transporte e distribuição da droga, utilizando principalmente rotas fluviais e terrestres, explorando a extensa malha hidrográfica do Amazonas para dificultar a fiscalização.

Já o núcleo financeiro atuaria na movimentação e ocultação dos recursos obtidos com o tráfico. Segundo a Polícia Civil, veículos eram alugados em nome de terceiros e empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação eram utilizadas para dar aparência de legalidade às transações.

Empresas de fachada e alcance interestadual

As investigações apontam que algumas empresas funcionavam apenas no papel, sem atividade operacional compatível com o volume financeiro movimentado. Essas estruturas teriam sido usadas para fragmentar valores, realizar transferências entre estados e mascarar a origem ilícita do dinheiro.

O caráter interestadual do esquema exigiu apoio das forças de segurança do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí. O cruzamento de dados bancários, fiscais e telemáticos foi fundamental para mapear a engrenagem financeira.

Operação continua

A Operação Erga Omnes segue em andamento, com análise de documentos e extração de dados de aparelhos apreendidos. Novas fases não estão descartadas.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. As penas, somadas, podem ultrapassar décadas de reclusão.

A investigação lança luz sobre a suspeita de infiltração do crime organizado em estruturas públicas e reforça o alerta sobre o uso de empresas de fachada e movimentações financeiras atípicas no Amazonas.

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