Gaza – Em meio ao agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza, Israel autorizou nesta sexta-feira (25) a retomada dos lançamentos aéreos de ajuda humanitária por países estrangeiros. A decisão foi revelada por um oficial militar à rádio do Exército israelense e ocorre diante do aumento da pressão internacional por ações efetivas que aliviem o sofrimento da população palestina.
Desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas realizou um ataque que matou 1.219 pessoas em Israel e fez cerca de 250 reféns, a região vive um colapso humanitário. A ofensiva militar israelense em Gaza já deixou mais de 59 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde do território, controlado pelo grupo extremista.
Organizações internacionais e agências da ONU denunciam um cenário de “fome em massa”, com centenas de milhares de pessoas sem acesso a comida e água potável. O Programa Mundial de Alimentos (WFP) descreveu a situação como “níveis surpreendentes de desespero”, afirmando que um terço da população está há dias sem se alimentar.
Imagens divulgadas pela Reuters na quinta-feira (24) mostraram crianças com desnutrição grave sendo atendidas em Khan Younis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, apenas em 2025, ao menos 21 crianças de até cinco anos morreram por falta de alimentação adequada.
“Uma em cada cinco crianças está desnutrida na cidade de Gaza”, declarou Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA). Ele ainda afirmou que muitas “são cadáveres ambulantes, vivas apenas no corpo”.
Apesar da retomada dos lançamentos aéreos, especialistas e entidades humanitárias alertam que esse tipo de ajuda tem eficácia limitada. Segundo a ONU, a única forma sustentável de enfrentar a crise é por meio do desbloqueio completo das rotas terrestres para entrada de alimentos, água e medicamentos.
Enquanto o governo de Israel acusa o Hamas e a ONU de dificultar a distribuição dos insumos, as organizações humanitárias alegam serem sistematicamente impedidas de atuar na região. O impasse, somado ao bloqueio contínuo, coloca milhões de vidas palestinas em risco iminente.











