Manaus (AM) – A notícia caiu como uma bomba entra os amantes da Aviação Covil no Amazonas e coloca em risco a formação de novos pilotos na Região Norte. Fundado em 1940, o Aeroclube do Amazonas (ACA) é um considerado símbolo da aviação civil no Norte do país. Responsável pela formação de centenas de pilotos, comissários e profissionais da aviação, o local é considerado um berço de sonhos e o ponto de partida de muitas carreiras nos céus brasileiros.
Mas agora, a instituição vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória. Uma ordem de despejo emitida pela pela justiça, por solicitação da Infraero, determinou que o Aeroclube desocupe sua sede no Aeródromo de Flores, zona Centro-Oeste de Manaus, até hoje, domingo (19), uma decisão que ameaça interromper décadas de contribuição à aviação e ao turismo da região.
De acordo com o presidente do Aeroclube, Cassiano Ouroso, a medida surpreendeu a diretoria, já que existe um processo judicial em andamento sobre o mesmo terreno.
“Estamos aqui desde 1940, formando pilotos e comissários, ajudando a desenvolver a aviação e o turismo do Amazonas. Ser despejado agora é injusto e preocupante”, afirmou Ouroso.
Atualmente, o Aeroclube funciona sem repasses públicos, mantendo suas atividades graças às mensalidades de associados e à renda dos cursos de formação aeronáutica. Apenas no último ano, foram 33 novos pilotos formados, e a previsão era dobrar esse número em 2025.
Além da importância técnica, o espaço tem forte valor cultural e social, promovendo eventos tradicionais como a chegada do Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa, que reúnem famílias e apaixonados por aviação.
A direção denuncia ainda que a Infraero teria ocupado parte da estrutura do aeródromo após uma decisão obtida em plantão judicial, o que teria levado ao rompimento de contratos e ao enfraquecimento financeiro da instituição.
“A Infraero simplesmente tomou posse e passou a negociar diretamente com nossos permissionários. Isso cortou nossas fontes de renda e nos sufocou”, relatou Ouroso.
Com 84 anos de história, o Aeroclube do Amazonas é mais do que uma escola: é um patrimônio da aviação brasileira. Caso o despejo se confirme, o Amazonas pode perder sua principal base de formação aeronáutica — e um pedaço vivo da própria história dos céus da Amazônia.
“A lei está do nosso lado. Só pedimos que a Justiça reconheça nossa importância e nos permita continuar formando os pilotos que o Brasil precisa”, concluiu o presidente.










