Agente da PF é condenado a 26 anos de prisão por envolvimento com tráfico no aeroporto de Manaus

Policial usava acesso a áreas restritas e informações sigilosas para favorecer grupo que enviava drogas para outros estados.
Foto: Infraero/Divulgação

Manaus (AM) – Quatro pessoas foram condenadas pela Justiça Federal por participação em um esquema de tráfico interestadual de drogas que utilizava o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, como ponto de saída dos entorpecentes para outras regiões do país.

Entre os condenados está um agente da Polícia Federal, apontado como peça importante na operação criminosa. Além da pena de prisão, ele também perdeu o cargo público.

A sentença ocorreu após denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF). Os envolvidos foram presos em março de 2025, durante a Operação GateKeeper, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular o grupo.

Servidor facilitava entrada de drogas

Conforme apontado no processo, o agente utilizava a posição que ocupava para facilitar a entrada das cargas ilícitas na área de embarque do aeroporto.

Segundo as investigações, ele conseguia acessar setores restritos da unidade e colocava mochilas contendo drogas na área destinada aos voos domésticos. O esquema permitia que os demais integrantes retirassem os entorpecentes e seguissem viagem para outros estados.

O policial também teria utilizado sistemas internos da própria Polícia Federal de maneira irregular. As consultas permitiam obter informações sobre investigações e operações policiais, que posteriormente eram repassadas aos integrantes do grupo.

Mulas recebiam as mochilas após a inspeção

A investigação revelou que o grupo utilizava uma estratégia para evitar que os transportadores fossem flagrados durante a entrada no aeroporto.

Os chamados intermediários chegavam ao terminal carregando mochilas vazias e passavam normalmente pelos procedimentos de fiscalização. Depois da inspeção, recebiam os objetos já abastecidos com drogas para realizar o transporte até outros estados.

Além do policial, um dos integrantes atuava na organização logística da operação, enquanto outros dois eram responsáveis por transportar os entorpecentes.

Policial também foi condenado por lavagem de dinheiro

A Justiça Federal reconheceu ainda outras práticas atribuídas ao agente. Ele foi condenado por lavagem de capitais depois que valores provenientes das atividades criminosas teriam sido transformados em bens registrados em nome do cônjuge, com o objetivo de dificultar a identificação da origem do dinheiro.

Também houve condenação por violação de sigilo funcional e uso indevido de acesso restrito.

Ao todo, a pena aplicada ao policial foi de 26 anos e 7 meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 2.456 dias-multa e da perda do cargo público.

Outros três envolvidos também foram condenados

O homem apontado como responsável pela intermediação e logística do transporte recebeu pena de 16 anos, 9 meses e 7 dias de reclusão, também em regime fechado, além de 2.056 dias-multa.

Já os dois integrantes identificados como responsáveis pelo transporte das drogas foram condenados a 4 anos e 9 meses de prisão cada um.

O processo tramita na Justiça Federal sob o número 1004955-21.2025.4.01.3200.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *