Alerj revoga prisão de Rodrigo Bacellar após votação no plenário

Foto: TV Globo

Rio de Janeiro (RJ) – A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu, na tarde desta segunda-feira (8), derrubar a prisão do presidente da Casa, deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), detido pela Polícia Federal na semana anterior. A decisão foi tomada em uma sessão iniciada às 15h17, com a presença dos 65 parlamentares.

Para revogar a prisão, era necessário o apoio de pelo menos 36 deputados — número superado por volta das 16h50. O placar final ficou assim:

  • 42 votos a favor da revogação
  • 21 contrários
  • 2 abstenções
  • 3 deputados ausentes e 1 licenciado

A votação ocorreu após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar, por 4 votos a 3, o parecer que recomendava levar o caso ao plenário.

Acusações contra Bacellar

O deputado foi preso no dia 3 durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A investigação aponta que ele teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, na qual o então deputado TH Joias foi preso acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e ligação com o Comando Vermelho. TH Joias perdeu o mandato após a prisão.

Debates antes da decisão

A sessão foi marcada por discursos acalorados de parlamentares favoráveis e contrários à soltura de Bacellar.

  • Flávio Serafini (Psol) defendeu a manutenção da prisão e disse concordar com o entendimento do STF.
  • Renata Souza (Psol) afirmou que o voto pela continuidade da prisão representava “responsabilização” da Casa.
  • Carlos Minc (PSB) alertou para a infiltração do crime organizado no poder público: “Precisamos cortar esses tentáculos, ou este parlamento será contaminado”.
  • Já o deputado Alexandre Knoploch (PL) alegou fragilidade nas provas apresentadas pela PF e criticou colegas: “Muitos aqui viviam de beijo e abraço com TH Joias”.
  • Índia Armelau (PL) declarou estar votando por justiça e criticou o comportamento de parlamentares em relação ao presidente da Casa.
  • Elika Takimoto (PT) enfatizou a importância institucional da decisão e a necessidade de preservar o equilíbrio entre poderes.
  • Renan Jordy (PL) acusou a esquerda de omissão, dizendo que todos já conheciam o histórico de TH Joias.

O que acontece agora

Com a decisão da Alerj, o próximo passo é a elaboração do projeto de resolução formalizando o resultado, que será publicado no Diário Oficial da Casa. A partir dessa publicação, a Assembleia comunicará oficialmente o ministro Alexandre de Moraes, responsável pela ordem de prisão e pelo inquérito no STF.

Apesar da revogação da prisão, o Supremo pode impor medidas cautelares, como ressaltou Carlos Minc durante a sessão. Entre elas:

  • tornozeleira eletrônica
  • proibição de contato com outros investigados
  • retenção do passaporte
  • recolhimento domiciliar noturno
  • afastamento de funções públicas, inclusive da presidência da Alerj

A definição dessas medidas cabe exclusivamente ao Judiciário, independentemente do que foi decidido no plenário.

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