Amazonas entra na rota global de terras raras com parceria estratégica entre mineradoras

Acordo entre BBX Brasil e a asiática SAM viabiliza exploração em Apuí; jazida possui 41,5% de pureza em minerais magnéticos, índice considerado o mais alto do mundo.

Manaus (AM) – O setor mineral do Amazonas deu um passo decisivo para se consolidar como um player estratégico no mercado de tecnologias de baixo carbono. A Mineração BBX do Brasil e a gigante asiática Southern Alliance Mining (SAM) formalizaram um acordo de colaboração para avaliar a viabilidade técnica, comercial e logística da extração de terras raras no município de Apuí (a 453 quilômetros de Manaus).

A jazida de Apuí, identificada pela BBX em 2023, destaca-se por uma característica única: a presença de depósitos de argila iônica com elevados índices de pureza. Segundo análises da Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear (Ansto), o minério local possui 41,5% de concentração de terras raras magnéticas, como praseodímio, térbio, disprósio e neodímio, índice que coloca o projeto entre os mais ricos do planeta.

Esses elementos são fundamentais para a “economia verde”, sendo componentes indispensáveis na fabricação de motores para veículos elétricos, turbinas de energia eólica e eletrônicos de alta tecnologia.

Mineração de Baixo Impacto
Um dos diferenciais do projeto em Apuí é a proposta de utilização da técnica de lixiviação in situ (ISR). Ao contrário da mineração convencional, que exige grandes escavações e remoção de solo, o método ISR funciona por meio de injeção de líquidos lixiviantes via poços diretamente na camada de argila; a solução dissolve os minerais, que são bombeados de volta à superfície para processamento; e o método minimiza o impacto ambiental e a degradação da cobertura vegetal, sendo ideal para a região amazônica.

O acordo prevê o estudo de estruturas de cooperação, como joint ventures, combinando a expertise operacional da SAM na Ásia com o potencial mineral da BBX no Brasil.

“Essa colaboração nos permite integrar conhecimento técnico e comercial para avançarmos de forma eficiente no desenvolvimento do projeto e na futura inserção de produtos de terras raras no mercado global”, destacou Andrew Reid, diretor-presidente da BBX.

O projeto encontra-se atualmente em fase de licenciamento ambiental. Com a formalização da parceria, as empresas devem acelerar os estudos de logística para o escoamento da produção e a definição da estrutura industrial necessária para transformar o Amazonas em um polo exportador de minerais críticos para a transição energética mundial.

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