Manaus (AM) – O Amazonas registra 438 obras paralisadas, segundo o Painel de Obras do Tribunal de Contas da União (TCU), atualizado em abril de 2025. O número representa 59,7% do total de 734 obras catalogadas no estado.
Os projetos atualmente interrompidos somam investimentos de R$ 1,6 bilhão, o equivalente a 4,2% de todo o volume de obras no Amazonas. Embora ainda seja alto, o número mostra uma ligeira melhora em relação ao mesmo período de 2024, quando havia 452 obras paradas. Em contrapartida, as obras em execução subiram de 238 para 296, reduzindo a diferença percentual em 5,8%.
Educação lidera paralisações
O dado mais preocupante é que a maior parte das paralisações ocorre em áreas essenciais. A educação básica lidera o ranking, com 230 projetos interrompidos, seguida pela saúde, com 126 obras paralisadas. Já os setores de infraestrutura e mobilidade urbana registram 48 paralisações, enquanto o saneamento básico tem 12 obras paradas.
No painel do TCU, é possível identificar obras com execução financeira superior a 100% — situação que levanta ainda mais dúvidas sobre a gestão dos recursos. Um exemplo é a Quadra Coberta com Vestiários da Escola Municipal Zenith Ramos, em Santo Antônio do Içá. Embora a execução financeira esteja em 116,79% e a física em 72,94%, a obra continua paralisada, com justificativa classificada apenas como “outros”.
Situação semelhante ocorre na Escola Municipal Santa Rita, em Barcelos. O projeto apresenta execução financeira de 104,85% do valor desbloqueado (R$ 2 milhões), mas apenas 37,79% de execução física. Conforme o Simec, a última vistoria aconteceu em 26 de novembro de 2024.
Em Manacapuru, a obra da Creche/Pré-Escola MCMV foi cancelada mesmo após atingir 100% de execução financeira — cerca de R$ 1,4 milhão. O motivo informado foi abandono pela empresa contratada. A obra, iniciada em 2015, alcançou apenas 81,01% da execução física. A última vistoria registrada ocorreu há quase 10 anos, e o sistema não disponibiliza imagens do acompanhamento.
Ranking dos municípios
Entre os municípios com mais obras paradas, Autazes lidera com 29 projetos interrompidos, principalmente na área da educação. Em segundo lugar aparece Coari, com 24 obras paralisadas — número equivalente ao de Manacapuru, que também soma 24 projetos sem andamento.
Os números mostram que, apesar da leve melhora registrada em 2025, o Amazonas ainda enfrenta um cenário crítico de paralisações, sobretudo em áreas que deveriam ser prioridade, como educação e saúde.
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