Após morte de idoso, família diz que pinça foi esquecida em cirurgia em hospital de MG

Fotos: Rádio Nova FM/Arquivo pessoal

João Pinheiro (MG) – A família de Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, acusa o Hospital Municipal de João Pinheiro, no Noroeste de Minas Gerais, de falha médica após a morte do idoso, ocorrida na véspera do Natal. Segundo os familiares, uma pinça cirúrgica teria sido deixada dentro do corpo do paciente após a primeira cirurgia, situação que só teria sido descoberta depois do falecimento.

Manoel morreu no dia 24 de dezembro, um dia antes de completar 69 anos, após passar por dois procedimentos cirúrgicos na unidade hospitalar. A Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro confirmou, por meio de nota, que um “corpo estranho” foi retirado durante a cirurgia, mas destacou que o paciente apresentava estado clínico grave e diversas comorbidades. A pasta informou ainda que instaurou uma sindicância e reforçou os protocolos de segurança.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, Manoel passou mal em casa no dia 4 de dezembro e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Após a realização de exames, os médicos indicaram a necessidade de uma cirurgia de urgência, realizada no dia seguinte. A equipe médica informou à família que o procedimento havia ocorrido sem intercorrências e que o paciente apresentava uma úlcera gástrica.

Após a cirurgia, o idoso permaneceu dois dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, em seguida, foi transferido para um quarto. Durante a internação, a cuidadora contratada pela família relatou sinais de dor intensa e sonolência excessiva, o que gerou preocupação. No dia 11 de dezembro, diante da suspeita de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), foi realizada uma tomografia.

Ainda conforme o registro policial, pouco tempo depois o paciente foi encaminhado às pressas para uma segunda cirurgia, sem que os familiares fossem informados previamente sobre o motivo do procedimento. Após essa intervenção, os médicos relataram que haviam retirado um dreno e pus da cavidade abdominal. Manoel retornou à UTI, mas não resistiu e morreu após 13 dias de internação.

A suspeita de erro médico ganhou força após a família ter acesso a um exame de tomografia, divulgado por uma rádio local, que indicaria a presença de um instrumento cirúrgico no corpo do paciente. Segundo o advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, a partir dessa informação foram iniciadas as medidas legais cabíveis.

O defensor informou que acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil e que irá solicitar todos os prontuários, laudos, exames e registros clínicos e administrativos do Hospital Municipal de João Pinheiro para esclarecimento do caso.

“A família não busca vingança, mas sim verdade, justiça e respeito à memória do senhor Manoel, bem como a proteção de outras vidas para que fatos semelhantes jamais se repitam”, disse.

O que disse a Prefeitura de João Pinheiro

“A Secretaria Municipal de Saúde e a Administração Pública Municipal vêm, por meio desta, prestar esclarecimentos a respeito do falecimento do Sr. Manoel Cardoso de Brito, ocorrido no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares. O referido paciente deu entrada no hospital no dia 05 de dezembro de 2025, encaminhado pela UPA, apresentando quadro grave de vômitos com sangramento, associado a sequelas neurológicas importantes e rebaixamento do nível de consciência. Nessa ocasião, foi identificado um corpo estranho na cavidade abdominal. Imediatamente, a acompanhante foi comunicada da necessidade de reabordagem cirúrgica, sendo o paciente prontamente encaminhado ao centro cirúrgico.

Durante o segundo procedimento, não foi constatada perfuração de alça intestinal, e as suturas do procedimento anterior encontravam-se íntegras. O procedimento foi realizado sem intercorrências adicionais. No dia seguinte, a família foi novamente informada sobre o procedimento realizado, bem como sobre a identificação e retirada do corpo estranho.

Ressalta-se que o paciente deu entrada na unidade hospitalar em estado clínico extremamente debilitado, com quadro infeccioso já instalado, idade avançada e histórico de cardiopatia, diabetes, arritmia cardíaca e graves sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), condições que contribuíram significativamente para a evolução do quadro e para o desfecho ocorrido. Ao tomar conhecimento dos fatos, a Direção Administrativa e Técnica do Hospital adotou imediatamente todas as providências cabíveis, incluindo a notificação de evento adverso, a apuração das barreiras de segurança, o reforço dos protocolos de segurança do paciente, bem como a notificação à ANVISA, para instauração de sindicância e apuração rigorosa dos fatos. Também foi realizada reunião com toda a equipe cirúrgica, com registro em ata das medidas adotadas.

Por fim, o Município manifesta sua solidariedade aos familiares e reafirma que permanece à disposição para prestar toda a assistência necessária, bem como para fornecer esclarecimentos adicionais, sempre pautado pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde pública.”

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