Manaus (AM) – Com o sistema de resíduos urbanos em situação delicada, a capital amazonense realiza na próxima segunda-feira (3/10), às 13h30, uma audiência pública convocada pelo vereador Zé Ricardo (PT) para debater o destino do lixo em Manaus e no município vizinho de Iranduba, onde se planeja a construção de um novo aterro sanitário. O encontro ocorrerá no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Situação crítica em Manaus
O atual aterro de Manaus, instalado no km 19 da rodovia AM-010, é o principal local de destino dos resíduos sólidos urbanos da cidade. Ele ocupa cerca de 73 hectares e recebe milhares de toneladas de lixo por dia — estimativas apontam entre 2.000 e 3.000 toneladas diárias na capital.
Em 2024, a prefeitura firmou com o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) um acordo que estendeu o funcionamento do aterro atual até 2028, enquanto se prepara a instalação de um novo complexo sanitário.
Na vistoria às obras do novo aterro, também localizado na AM-010, foi relatado que a nova unidade ocupará 67 hectares, será dividida em quatro células operacionais, e contará com sistema de impermeabilização tripla ou quádrupla para evitar contaminação do solo. A previsão é que entre em funcionamento em fevereiro de 2026.
Iranduba como alternativa estratégica
Enquanto Manaus lida com o desgaste de seu aterro controlado, Iranduba se movimenta para ser sede de um «novo” destino para resíduos da Região Metropolitana. O Ministério Público do Trabalho (MPT-AM/RR) divulgou o projeto-piloto de aterro sanitário em Iranduba, que prevê atender 100% da população, com tratamento, reciclagem e reuso de materiais.
Entretanto, há ainda trâmites legais em curso: o MP-AM obteve decisão que suspende parte do licenciamento ambiental no município e impõe prazo para apresentação de cronograma de construção do aterro próprio.
O que será discutido na audiência
Na sessão agendada para segunda-feira, os pontos de pauta incluem:
Avaliação do estado atual do aterro da AM-010 (vida útil, impacto ambiental, vazão de resíduos);
Atualização do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de Manaus — exigido pelo MP e pela legislação sanitária;
Cronograma, financiamento e licenciamento para o novo aterro em Manaus e a obra em Iranduba;
Programas municipais de coleta seletiva, logística reversa e redução dos rejeitos enviados para disposição final.
Respondendo às críticas do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), que apontou que o aterro de Manaus “não cumpre a lei de resíduos” e sofre com descarte irregular e presença de urubus.
Tema é urgente
Especialistas alertam que o sistema atual da capital está no limite: a estimativa da ABREMA indica que o local operava além da vida útil projetada.
A adequação, tanto em tecnologia quanto em estrutura, se apresenta como vitória ambiental e sanitária para a região, evitando agravamento de problemas como contaminação de lençóis freáticos, odores, fauna de carniça e acúmulo de lixo em igarapés.
A audiência pública será um termômetro sobre as intenções concretas de governo, as pressões de licenciamento, e a mobilização da sociedade civil para garantir que Manaus avance numa política real de resíduos — não apenas discurso. Para Iranduba, será uma chance de confirmar ou não se transformará em peça fundamental na nova cadeia de gestão de lixo da metrópole.










