Bianca Andrade, a Boca Rosa, recebeu alta hospitalar nesta terça-feira, dia 18 de agosto, após passar alguns dias internada por conta de uma infecção. A influenciadora contou que a bactéria teria chegado à bexiga e, posteriormente, ao rim, o que exigiu cuidados médicos.
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O caso chamou a atenção para os riscos de uma infecção urinária evoluir e atingir os rins. Por isso, o OFuxico conversou com a Dra. Daphnne Camaroske Lopes, nefrologista da Fenix Nefrologia, que explicou como esse tipo de infecção pode se agravar, quais são os principais sinais de alerta e quando é necessário procurar atendimento médico.
Como a infecção chega aos rins?
De acordo com a especialista, a maioria das infecções urinárias começa na uretra ou na bexiga. Geralmente, elas são provocadas por bactérias que fazem parte da própria flora intestinal. Em algumas situações, porém, esses microrganismos conseguem subir pelos ureteres até chegar aos rins, provocando uma infecção chamada pielonefrite.
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“Quando existe uma infecção no tecido renal, existe uma proximidade muito grande entre o foco infeccioso e a circulação sanguínea. Isso aumenta o risco de a bactéria ou seus produtos alcançarem o sangue e desencadearem uma infecção sistêmica, podendo evoluir para sepse”, explicou Daphnne.
Quais são os sinais de alerta?
Enquanto a cistite costuma provocar sintomas como ardência ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência e desconforto na parte baixa do abdômen, uma infecção nos rins pode apresentar sinais diferentes.
Nesse caso, febre, calafrios, dor na região lombar ou nas costas, náuseas, vômitos e um mal-estar mais intenso podem aparecer. Além disso, alguns sintomas exigem atenção imediata.
“Febre alta com calafrios, dor lombar intensa, vômitos persistentes, confusão mental, queda da pressão, redução importante da urina ou piora rápida do estado geral são sinais de alerta que exigem avaliação imediata”, destacou a nefrologista.
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Por que não se deve tratar por conta própria?
Embora uma infecção urinária possa parecer um problema simples inicialmente, deixar de procurar atendimento pode favorecer a evolução do quadro. Segundo a médica, uma infecção localizada na bexiga pode subir para os rins e, posteriormente, alcançar a circulação sanguínea.
Além disso, o uso inadequado de antibióticos pode trazer outro problema. “Pode selecionar bactérias resistentes, dificultar o tratamento e mascarar temporariamente os sintomas. Infecção urinária não deve ser banalizada nem tratada com antibiótico por conta própria”, afirmou.
Infecção nos rins pode causar sepse?
Sim. Uma pielonefrite pode evoluir para sepse, principalmente quando o diagnóstico e o tratamento são retardados. Entretanto, alguns grupos apresentam maior risco de complicações.
Entre eles estão pessoas com diabetes, doença renal, imunossupressão ou obstrução urinária causada por cálculos. Idosos e pacientes que utilizam dispositivos urinários, como sondas, também precisam de atenção especial.
Ainda assim, existe uma situação considerada particularmente preocupante: quando o rim está infectado e, ao mesmo tempo, obstruído. Nesse cenário, somente o antibiótico pode não ser suficiente.
“Muitas vezes é necessário também desobstruir o sistema urinário para controlar adequadamente a infecção”, explicou Daphnne.
É possível ter infecção urinária sem sintomas?
Segundo a especialista, sim. Algumas pessoas podem apresentar poucos sintomas ou até mesmo nenhum sinal urinário típico. Porém, é importante diferenciar uma infecção urinária de uma condição chamada bacteriúria assintomática.
“Achar bactérias na urina, isoladamente, não significa necessariamente que exista uma infecção que precise de antibiótico”, explicou a médica.
Por outro lado, gestantes, idosos, pessoas com diabetes, cálculos, alterações no trato urinário, doença renal ou imunossupressão merecem atenção especial.
Como prevenir complicações?
Por fim, a nefrologista reforçou que alguns cuidados podem ajudar na prevenção. Entre eles estão manter uma boa hidratação, evitar segurar a urina por períodos prolongados e tratar adequadamente condições que favorecem as infecções urinárias.
Mais importante ainda, é preciso reconhecer quando os sintomas deixam de parecer os de uma infecção urinária simples. “Uma ardência para urinar é diferente de uma infecção acompanhada de febre, calafrios e dor lombar. Quando esses sintomas aparecem, precisamos pensar em comprometimento renal e procurar atendimento rapidamente”, afirmou.
Dessa forma, embora nem toda infecção urinária evolua para um quadro grave, a atenção aos sinais do organismo pode fazer diferença.
“O rim é um órgão que recebe e filtra uma enorme quantidade de sangue. Por isso, uma infecção que chega ao rim não deve ser encarada como uma simples infecção urinária, ela pode se disseminar e comprometer todo o organismo”, concluiu Daphnne.
Fonte: O Fuxico











