Manaus (AM) – Os proprietários do Hospital Santa Júlia compareceram à sede do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) nesta quarta-feira (17/12) para prestar esclarecimentos sobre a morte de Benício Xavier, 6. O garoto faleceu em novembro após receber doses elevadas de adrenalina intravenosa, em um caso que gerou comoção pública e agora avança para a análise de possíveis negligências sistêmicas.
O fundador do hospital, Edson Sarkis, defendeu o padrão de atendimento da unidade em conversa com a imprensa. Ele destacou que o hospital possui certificações da Organização Nacional de Acreditação (ONA), que atestam níveis de segurança do paciente e gestão hospitalar.
Segundo Sarkis, a estrutura de prevenção estava disponível no momento do ocorrido, mas não teria sido acionada conforme o previsto.
“O hospital tem protocolo de segurança, tem dupla checagem. No pronto-socorro, havia uma enfermeira responsável pelo protocolo que não foi acionada, além de outras duas enfermeiras e uma farmacêutica na central”, afirmou o fundador.
Em tom emocional, Sarkis declarou sofrer junto com os pais da criança: “Eu me preocupo mais com a família do Benício do que com toda essa situação. Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente”. Além dele, os administradores Edson Sarkis Júnior e Júlia Sarkis também prestaram depoimento.
As Quatro Frentes da Investigação
De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular da investigação, o inquérito é abrangente e não se limita apenas ao erro individual da equipe médica. A Polícia Civil trabalha com quatro linhas principais de apuração, como a responsabilidade da médica Juliana Brasil Santos, que admitiu em mensagens o equívoco na prescrição da adrenalina; a responsabilidade da técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação direta da medicação; falhas Estruturais e organizacionais com análise da eficácia dos sistemas de prescrição e protocolos do hospital; e procedimento de intubação; e investigação de possíveis erros cometidos durante o procedimento de intubação.
Contexto e Situação Jurídica
Benício Xavier morreu na madrugada de 23 de novembro. A defesa da médica Juliana Brasil Santos argumenta que a confissão do erro ocorreu “no calor do momento”, enquanto a Justiça do Amazonas anulou recentemente um habeas corpus que a beneficiava, devolvendo a análise do pedido de liberdade ao juiz de primeira instância.
Novas perícias devem ser realizadas nos próximos dias para confrontar os depoimentos dos donos do hospital com os registros digitais do sistema hospitalar.











