Manaus (AM) – Novas e impactantes imagens obtidas pela TV Globo, oriundas do circuito interno de vigilância do Hospital Santa Júlia, revelam detalhes cruciais dos momentos que antecederam a morte do menino Benício Xavier, 6, vítima de um provável erro médico. As gravações mostram que a criança deu entrada na unidade caminhando e conversando com os pais, em um quadro aparentemente estável, sem sinais de risco iminente.
As imagens registram o trajeto da família pela unidade de saúde na noite da tragédia. Benício aparece interagindo com a mãe e o pai enquanto segue para o consultório da pediatra Dra. Juliana Brasil. Logo após a consulta, a mãe da criança deixa a sala com uma prescrição e se dirige com o filho para a Sala de Medicação.
No local, Benício é colocado em uma maca. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva prepara a aplicação da medicação enquanto os pais tentam acalmar o menino, dizendo que seria “apenas uma injeção”. Poucos segundos após receber o medicamento, o menino passa mal abruptamente. As imagens mostram o desespero dos pais e da própria técnica, que sai correndo para chamar a médica.
Um trecho do vídeo, revelado pela TV Globo, mostra um momento considerado decisivo pela polícia. Assim que chega à sala, a pediatra Dra. Juliana Brasil atende a uma ligação telefônica. De acordo com a investigação, ela estaria falando com o médico do hospital, Enryko Queiroz, a quem teria admitido ter prescrito a medicação de forma equivocada, informando que a criança havia começado a “passar mal”.
As investigações apontam que o medicamento administrado seria adrenalina, que deveria ter sido usado via inalatória, mas acabou sendo aplicado de forma endovenosa, provocando uma reação fatal no organismo da criança.
Após o agravamento súbito, Benício foi levado imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde sofreu diversas paradas cardiorrespiratórias. Mesmo com tentativas de reanimação, não resistiu. O menino, que entrou caminhando no hospital horas antes, morreu pouco tempo após a aplicação da injeção.
Em nota, o Hospital Santa Júlia afirmou que afastou a médica e a técnica de enfermagem envolvidas no caso e que está colaborando com a Polícia Civil nas investigações que buscam esclarecer a postura profissional e os procedimentos adotados naquela noite.
Documentos enviados à polícia mostram que a própria Dra. Juliana admitiu o erro na prescrição. Mensagens trocadas com o médico Enryko Queiroz também reforçam a confissão, embora a defesa da pediatra alegue que ela teria feito tais declarações “no calor do momento”.
A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação do medicamento, também é investigada. Ambas respondem ao inquérito em liberdade.
O caso segue sob análise da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que apura as responsabilidades e a cadeia de erros que culminaram na morte de Benício Xavier.











