Manaus (AM) – Iniciado na na quinta-feira (16/10) pela Justiça Federal do Amazonas, o interrogatório de Rubén Dario da Silva Villar, o “Colômbia”, e de Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, apontados como principais suspeitos de envolvimento nos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips segue nesta sexta-feira (17/10) por videoconferência. Os depoimentos fazem parte de um processo que apura a atuação de uma organização criminosa ligada à pesca e à extração ilegal de recursos naturais no Vale do Javari, na Amazônia.
O interrogatório ocorre em um inquérito paralelo ao processo que investiga o duplo homicídio. Neste caso, dez réus são acusados de integrar o grupo criminoso que explorava atividades ilegais na região. A ação tramita na Justiça Federal de Tabatinga (AM).
Operação ilegal no Javari
Segundo as investigações, “Colômbia” atuava como operador de um esquema de extração e venda de peixes de forma ilegal, abastecendo comércios, hotéis e restaurantes no Alto Solimões, além de cidades mais distantes, como Tefé e Manaus. Testemunhos de ribeirinhos, indígenas e policiais também levantam suspeitas de que o estrangeiro tenha ligações com o tráfico internacional de drogas na região amazônica.
A Polícia Federal sustenta que os assassinatos de Dom e Bruno foram encomendados por “Colômbia”, que teria influência sobre comunidades ribeirinhas cooptadas para atuar em áreas de extração ilegal dentro da Terra Indígena do Vale do Javari. Já “Pelado” seria um dos fornecedores de Villar na rede criminosa.
Histórico de prisões
Rubén Dario Villar foi preso em julho de 2023, após apresentar documento falso à Polícia Federal ao tentar negar envolvimento nas mortes. Posteriormente, ele foi liberado para prisão domiciliar mediante fiança de R$ 15 mil, mas voltou a ser preso em dezembro do mesmo ano, após descumprir as medidas impostas pela Justiça. Desde então, permanece encarcerado.
Contexto das mortes
O indigenista Bruno Pereira atuava no treinamento de indígenas para fiscalização e proteção de territórios, enquanto o jornalista Dom Phillips realizava pesquisas para um livro sobre o trabalho do servidor e os desafios da Amazônia. A estratégia de Bruno para empoderar comunidades nativas afetava diretamente os interesses econômicos dos exploradores ilegais, o que teria motivado o crime.
As audiências desta semana são vistas como etapas decisivas para o avanço das investigações sobre a estrutura e a atuação da organização criminosa que se formou em torno da exploração ilegal de recursos no Vale do Javari.











