Manaus (AM) – O amazonense Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato”, apontado como chefe do tráfico de drogas no bairro Tancredo Neves, em Manaus, e mais cinco amazonenses foram identificados entre os 121 mortos da megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV) realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.
A informação foi confirmada nesta sexta-feira (31/10) pelo governador Cláudio Castro e pelo secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, em vídeo publicado nas redes oficiais do governo fluminense.
De acordo com as autoridades, “Chico Rato” era um dos principais líderes do CV no Amazonas e figurava entre os criminosos mais perigosos da Região Norte. Ele morreu durante a Operação Contenção, deflagrada na terça-feira (28/10), que resultou em 121 mortes, 133 prisões e 118 armas apreendidas, sendo 91 fuzis — números que fazem da ação a maior operação policial da história do estado em letalidade.
Histórico violento em Manaus
Aos 32 anos, “Chico Rato” acumulava uma extensa ficha criminal. Em 2018, foi preso pelo assassinato dos irmãos Isaías e Hilmes Rabelo, ocorrido em 4 de dezembro de 2017, no bairro Tancredo Neves. No ano seguinte, foi condenado a 40 anos de prisão pelo duplo homicídio.
Mesmo com a condenação, passou a cumprir pena em regime semiaberto, o que, segundo investigadores, facilitou seu retorno ao comando do tráfico em Manaus. Ele também respondia a outro processo por homicídio cometido em agosto de 2017, no mesmo bairro.
O então delegado da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juan Valério, chegou a apontá-lo como o principal chefe do tráfico no Tancredo Neves, com ligações diretas com João Branco, líder da extinta facção Família do Norte (FDN).
Com o enfraquecimento da FDN e a aproximação com o Comando Vermelho, “Chico Rato” ascendeu rapidamente na hierarquia, tornando-se um dos principais articuladores da facção carioca no Amazonas.
Outros traficantes do Amazonas também morreram
Além de “Chico Rato”, outro amazonense identificado como “Gringo” também foi morto durante a operação. Segundo o governador Cláudio Castro, seis criminosos do Amazonas já foram identificados entre os 121 mortos.
A lista divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio inclui ainda traficantes de outros estados, como Pará, Bahia, Goiás, Ceará e Espírito Santo, evidenciando o alcance nacional do Comando Vermelho e sua articulação interestadual.
Operação e cenário de guerra
A Operação Contenção mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com o objetivo de desarticular o Comando Vermelho e cumprir cerca de 100 mandados de prisão.
Os confrontos mais intensos ocorreram na Serra da Misericórdia, no Complexo da Penha, onde dezenas de corpos foram encontrados por moradores. Testemunhas relataram cenas de horror, descrevendo o local como um “campo de guerra”.











