Cheia do rio Negro alaga centro de Manaus e afeta meio milhão de pessoas no Amazonas

Com 29,04 metros, nível do rio coloca a capital amazonense em alerta máximo. Mais de 500 mil pessoas já foram afetadas pela cheia em todo o estado

Manaus (AM) – Manaus entrou em estado de alerta máximo nesta semana após o Rio Negro ultrapassar a cota de inundação severa, atingindo 29,04 metros, conforme o último boletim do Porto de Manaus divulgado na sexta-feira (4/7). A elevação do nível das águas já provocou alagamentos em diversas ruas do Centro da capital e deixou mais de 500 mil pessoas afetadas em todo o estado, segundo a Defesa Civil do Amazonas.

Na capital, passarelas improvisadas estão sendo instaladas em áreas críticas, e comerciantes do Centro Histórico relatam prejuízos com a água invadindo lojas e depósitos. Moradores de zonas mais baixas enfrentam dificuldades para sair de casa, com ruas completamente submersas. A situação se agrava a cada dia com a continuidade das chuvas intensas.

A cheia de 2025 já supera a de 2009 (29,71 m) e se aproxima das de 2003 (29,77 m) e 2012 (29,97 m), consideradas históricas, mas ainda está abaixo do recorde absoluto de 30,02 metros registrado em 2021. A preocupação é reforçada pela rápida transição climática: em outubro de 2024, o mesmo Rio Negro enfrentava uma das piores secas da história, com o nível caindo para 12,66 metros — a segunda menor marca já registrada.

O contraste entre extremos em menos de um ano revela os impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas na Amazônia. O Serviço Geológico do Brasil já havia emitido alerta de risco em abril, quando apontou 42% de chance de inundação severa em Manaus, previsão agora confirmada.

Diante do cenário, a prefeitura de Manaus distribui kits de madeira para construção de marombas e prepara centros de acolhimento para famílias desalojadas. A Defesa Civil do estado mantém o monitoramento constante dos principais rios da região — Negro, Solimões e Amazonas — todos com níveis em elevação.

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