Comércio volta a crescer após quatro meses de queda, mas IBGE alerta: “a novidade é que parou de cair”

Foto: Valter Campanato

Brasília (DF) – Após quatro meses consecutivos de retração, o comércio brasileiro registrou leve crescimento de 0,2% em agosto, em relação a julho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço foi de 0,4%.

Embora positivo, o IBGE considera o resultado como estabilidade, já que a variação ficou abaixo de 0,5%. “A novidade é que parou de cair”, afirmou Cristiano Santos, gerente da pesquisa, ressaltando que o dado não representa uma reversão consistente na tendência de desaceleração do setor.

Com o resultado, o varejo permanece 0,7% abaixo do pico histórico registrado em março de 2025, mas ainda 9,4% acima do nível pré-pandemia. No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas cresceram 2,2%, ritmo menor que o observado no fim de 2024, quando a taxa chegou a 4,1%.

📊 Setores que impulsionaram o resultado

Cinco dos oito segmentos analisados apresentaram alta entre julho e agosto. O destaque foi para equipamentos e material de escritório, informática e comunicação, com avanço de 4,9%, beneficiado pela queda do dólar, que reduziu o preço de produtos importados.

Outros setores que contribuíram para o desempenho foram:

Tecidos, vestuário e calçados (+1%), impulsionados pelo Dia dos Pais;

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+0,7%);

Móveis e eletrodomésticos (+0,4%);

Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,4%).

Já livros, jornais e papelaria (-2,1%), combustíveis (-0,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%) registraram retração.

💰 Inflação negativa e crédito ajudam consumo

Segundo o IBGE, a inflação negativa de agosto (-0,11%) colaborou para o aumento das vendas. Mesmo com juros altos, o volume de empréstimos a pessoas físicas subiu 1,5%, favorecendo o consumo.

🚛 Comércio ampliado e conjuntura econômica

O comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, material de construção e atacado de alimentos e bebidas, cresceu 0,9% em agosto e acumula alta de 0,7% em 12 meses.

A pesquisa abrange 6.770 empresas em todo o país e, segundo o IBGE, não mostra impacto direto do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros.

O levantamento integra o conjunto de indicadores conjunturais do instituto, que também apontaram alta de 0,1% nos serviços e crescimento de 0,8% na indústria em agosto, indicando um leve fôlego da economia brasileira após meses de retração.

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