Covil do Mamon: líder de grupo envolvido com agiotagem e extorsão é preso em hospital de Manaus

Investigado por agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro, suspeito estava internado há mais de um mês; grupo movimentou cerca de R$ 24 milhões

Manaus (AM) – Apontado como líder de uma organização criminosa envolvida em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro, um homem de 39 anos foi preso pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na manhã desta segunda-feira (8/6). A prisão ocorreu em um hospital particular de Manaus, onde o investigado estava internado há mais de um mês.

A captura faz parte da operação “Covil do Mamon”, que já havia resultado na prisão de 20 investigados no dia 20 de maio. Segundo as investigações, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 24 milhões por meio de um esquema estruturado de empréstimos com juros abusivos e cobranças violentas.

Durante a operação, a PC-AM cumpriu 31 mandados de busca e apreensão e o sequestro de 42 veículos e sete imóveis, além do bloqueio judicial de contas bancárias e suspensão das atividades de sete pessoas jurídicas ligadas aos investigados.

De acordo com a Polícia Civil, a organização atuava de forma articulada, com divisão de funções entre núcleo financeiro, operacional e de comando. As investigações apontam que as vítimas eram submetidas a ameaças, extorsões, tortura, sequestro e, em casos mais graves, homicídios, caso não conseguissem quitar as dívidas.

A operação teve alcance interestadual, com alvos identificados também na Paraíba, Roraima e Santa Catarina. Durante a primeira fase, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias, sequestro de veículos e imóveis e suspensão de empresas ligadas ao esquema criminoso.

A nova prisão reforça o avanço das investigações, que continuam em andamento. A Polícia Civil não descarta novas fases da operação para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento financeiro da organização.

Esquema

De acordo com as investigações, os grupos criminosos operavam um esquema de empréstimos e juros exorbitantes, no qual o não pagamento nas datas estipuladas resultava em um sistema organizado de cobranças violentas. As vítimas eram submetidas a ameaças, extorsões, tortura, sequestros e, em alguns casos, homicídios.

“É importante lembrar que não se trata de simples empréstimos. São, na realidade, casos de empréstimos a juros abusivos, extorsivos. Temos casos de R$ 150 emprestados que se tornaram R$ 45 mil de dívida. Temos casos que a dívida progrediu em uma progressão que não se justifica para mais de R$ 400 mil. É uma forma extremamente inescrupulosa de cobranças através de lesão corporal, ameaças acintosas. Temos catalogados homicídios, também derivados desses atos de cobrança”, relatou o  delegado do 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pela investigação, Fernando Bezerra.

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