DA POLÍCIA À POLÍTICA: A polêmica trajetória do delegado do AM preso por milícia privada e crime eleitoral

Investigado pela PF na Operação Cunhambebe sob suspeita de treinar grupo armado em terra indígena, Daniel Antony Trindade soma histórico de controvérsias no Amazonas e em Roraima.

Boa Vista (RR) – A trajetória de Daniel Antony Aquino Trindade reúne elementos dignos de um roteiro improvável: delegado de carreira da Polícia Civil do Amazonas, lutador profissional de MMA com cartel recheado de lutas, advogado e candidato a deputado federal em Roraima pelo Partido Liberal (PL).

Alvo central da Operação Cunhambebe, deflagrada pela Polícia Federal (PF), Trindade viu seu nome voltar aos holofotes da crônica policial e política da Amazônia ao ser preso em flagrante por crimes eleitorais. O cumprimento do mandado ocorreu enquanto ele já era investigado sob a acusação de montar e treinar uma suposta milícia armada em terras indígenas no estado de Roraima.

Para quem acompanha os bastidores da segurança pública amazonense, contudo, a notoriedade do delegado não é novidade.

Histórico de Controvérsias e Casos de Polícia
A carreira pública de Daniel Trindade acumula um rastro de episódios polêmicos no Amazonas. Em 2015, enquanto atuava como delegado no município amazonense de Juruá, ele foi investigado após a divulgação de vídeos em que promovia e mediava lutas de artes marciais entre detentos dentro da própria carceragem. Depoimentos da época apontaram que os confrontos eram tratados como entretenimento e punição informal. Na mesma época, também surgiram denúncias de agressões a presos com palmatória e disparos de arma de fogo em via pública.

Treinamento Clandestino e Ação da PF
As investigações mais recentes que culminaram na Operação Cunhambebe apontam que Trindade utilizava um instituto para ministrar cursos clandestinos de táticas policiais e militares — como patrulha rural e reação a agentes químicos — para moradores da Comunidade Napoleão, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Segundo a Polícia Federal, o treinamento visava capacitar integrantes para resistir a fiscalizações contra o garimpo ilegal na região.

Durante o cumprimento das buscas autorizadas pela Justiça Federal de Roraima, agentes da PF encontraram indícios de compra de votos, resultando na sua prisão em flagrante por descumprimento das leis eleitorais. O político também recebeu sanções judiciais que o proíbem de se aproximar ou ingressar em terras indígenas. Para informações sobre votação e regras eleitorais, consulte os canais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *