Manaus (AM) – Em mais uma inovação, a presidência da COP30 criou a figura dos “enviados especiais” para mobilizar atores que não são partes formais das Conferência do Clima da ONU, mas que são importantes para implementar as decisões, como empresas e sociedade civil.
Os únicos brasileiros no grupo são o executivo Denis Minev, CEO da varejista Bemol. Ele vai representar o setor privado amazônico. O líder extrativista Joaquim Belo representa a sociedade civil da Amazônia.
Eles vão apoiar a liderança da COP no Brasil no engajamento e na escuta de setores e regiões prioritárias para a conferência. A ideia é que eles funcionem como canal direto para apresentar demandas para a presidência da COP30. Serão 10 enviados para regiões estratégicas(oito deles são estrangeiros) e 20 enviados para setores-chave (todos brasileiros).
“Os enviados funcionarão como caixas de ressonância de setores e de geografias, verdadeiros canais e facilitadores do fluxo de informações e de percepções de suas respectivas áreas”, disse o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, em nota.
A ação faz parte do “mutirão pelo clima” proposto por Corrêa do Lago para que as decisões ds COPs sejam postas em prática. A presidência brasileira também criou quatro “círculos de liderança”: o Balanço Etico Global, o Círculo de Ministros de Finanças, o Círculo dos Povos e o Círculo de Presidentes, que têm como foco entregar produtos específicos de apoio à presidência da COP em Belém. Outra ação foi o pedido de planos de descarbonização a setores poluentes da economia brasileira.
Os nomes dos 30 enviados especiais foram anunciados na quarta-feira (14/5) pela presidência da COP.
A lista tem nomes de peso. “[Eles] ajudarão a construir a conferência com diálogo e ação coletiva. Serão algumas de nossas vozes e ouvidos em setores e regiões estratégicas, parte de um esforço conjunto por uma COP30 forte e efetiva na implementação de soluções climáticas”, disse a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, em nota.
Entre os dez enviados regionais, oito são estrangeiros e dois brasileiros, sendo sete homens e três mulheres. Destaque para a economista francesa Laurence Tubiana, uma das arquitetas do Acordo de Paris; Jacinda Ardern, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia reconhecida por políticas progressistas; e o chinês Xie Zhenhua, figura importante nas negociações climáticas globais, incluindo o Acordo de Paris e a diplomacia climática entre EUA e China.
“É uma honra aceitar o convite da presidência brasileira para atuar como enviada especial para a Europa na COP30. Esta conferência, realizada na Amazônia em um momento de fratura geopolítica e urgência climática, deve ser um ponto de inflexão – uma oportunidade para reconstruir a confiança, recuperar o ímpeto e reafirmar o espírito de Paris”, disse Tubiana em nota.
Entre os enviados setoriais, são dez homens e dez mulheres, todos brasileiros.











