Manaus (AM) – A possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño em 2026 voltou a colocar o Amazonas em estado de atenção. Especialistas e órgãos de monitoramento climático alertam para o risco de seca extrema, aumento das queimadas, redução no nível dos rios e impactos diretos na vida de milhares de famílias amazonenses.
Segundo projeções internacionais citadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), existe mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno até o fim de 2026. Ainda não há confirmação sobre a intensidade, mas meteorologistas alertam que o El Niño pode potencializar eventos extremos já agravados pelas mudanças climáticas.
No Amazonas, os principais efeitos costumam ser períodos prolongados de estiagem, calor intenso e queda drástica no nível dos rios. Em 2023 e 2024, o estado enfrentou uma das piores secas da história recente, com comunidades isoladas, dificuldades no transporte fluvial, falta de água e aumento do preço de alimentos e combustíveis.
A Defesa Civil do Amazonas já emitiu alerta sobre o risco de uma nova seca severa em 2026, semelhante ou até superior à registrada nos últimos anos. O órgão informou que acompanha o cenário e discute medidas preventivas para evitar colapso logístico e dificuldades no abastecimento de medicamentos, alimentos e água potável em municípios do interior.
Outro efeito preocupante é o aumento das queimadas e incêndios florestais. Com menos chuva, altas temperaturas e baixa umidade, a floresta fica mais vulnerável ao fogo, ampliando impactos ambientais e problemas respiratórios na população. Especialistas também alertam para riscos à biodiversidade amazônica, especialmente em áreas já afetadas pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas.
Os impactos do El Niño também atingem diretamente a economia amazonense. A redução da navegabilidade compromete o transporte de cargas e passageiros, afeta a pesca, prejudica a agricultura e dificulta o acesso de comunidades ribeirinhas a serviços básicos como saúde e educação.
Diante do cenário, especialistas defendem ações preventivas, planejamento logístico e fortalecimento das políticas ambientais para reduzir os efeitos de uma possível nova estiagem severa na Amazônia.











