Em meio a cobranças da Justiça e crise nas contas, Prefeitura adia AGROPEC 2026 para novembro

Evento estava previsto para setembro, mas Prefeitura anunciou replanejamento após uma série de questionamentos sobre pagamentos de servidores, dívidas com fornecedores e gastos da administração.
Foto: Reprodução

Careiro (AM) – A 15ª AGROPEC 2026, que vinha sendo anunciada para os dias 10, 11 e 12 de setembro, não acontecerá mais nessa data, a Prefeitura de Careiro anunciou o replanejamento da feira e informou que o evento será realizado em novembro, ainda sem uma data definida.

A mudança acontece em meio a uma crise administrativa e financeira que já havia levado o Ministério Público do Amazonas (MPAM) a questionar na Justiça os gastos previstos para a festa. O problema não era a importância da AGROPEC para o município, o próprio Ministério Público reconheceu que a feira possui relevância econômica e cultural para Careiro. A preocupação estava na ordem de prioridade dos gastos públicos, enquanto a Prefeitura enfrentava cobranças relacionadas a salários de servidores, 13º salário, fornecedores e serviços essenciais, também avançava com a organização de uma grande festividade.

O que levou o caso à Justiça

Em julho, o MPAM entrou com uma ação civil pública pedindo que a Prefeitura suspendesse despesas relacionadas à AGROPEC até que fossem regularizadas obrigações consideradas prioritárias, entre os problemas apontados estavam atrasos recorrentes no pagamento de servidores e dificuldades para quitar compromissos com fornecedores. A Promotoria também questionou a falta de informações sobre os custos da própria AGROPEC.

Segundo o MPAM, não estavam disponíveis no Portal da Transparência documentos como processos de contratação, contratos, atos de inexigibilidade e empenhos relacionados ao evento, com isso, não seria possível saber, de forma adequada, quanto seria gasto, de onde viriam os recursos e quais empresas seriam contratadas.

Outro ponto levado ao processo foi a própria justificativa apresentada pela administração municipal para a situação financeira: dificuldades provocadas por retenções nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Para o Ministério Público, a situação exigia que a Prefeitura priorizasse o pagamento dos servidores, fornecedores e a manutenção dos serviços públicos antes de ampliar despesas com a realização da festa.

Uma decisão judicial de 11 de agosto não determinou o cancelamento ou o adiamento da AGROPEC , ao analisar o pedido do MPAM, a Justiça decidiu manter a realização da feira inicialmente prevista para setembro, mas reconheceu a existência de um quadro prolongado de desorganização administrativa e determinou que a Prefeitura apresentasse, em 20 dias, documentos detalhados sobre os gastos da AGROPEC e a situação financeira do município.

A decisão também apontou que parte dos documentos apresentados pela administração não comprovava, de maneira individualizada, a quitação das obrigações com servidores. Em relação aos fornecedores, foi determinada a apresentação dos débitos pendentes e de eventuais repactuações.

O descumprimento das determinações pode resultar em multa diária de R$ 5 mil diretamente à prefeita Mara Alves e até mesmo na análise de um eventual afastamento cautelar do cargo.

Prefeitura anuncia mudança para novembro

Depois desse cenário, a Prefeitura publicou uma nota anunciando o “replanejamento” da 15ª AGROPEC. No comunicado, a administração afirma que decidiu rever o calendário para garantir melhores condições de estrutura, segurança, acessibilidade e organização para produtores, expositores e visitantes.

A nova previsão é que a feira aconteça em novembro de 2026, mas a data definitiva ainda será divulgada. A Prefeitura também informou que a Seletiva das Rainhas da AGROPEC permanece marcada para 25 de agosto e que o chamado “esquenta” da feira será realizado durante a Expofeira da Mandioca, em setembro.

Festa agora fica em segundo plano diante das contas

A AGROPEC é considerada pela própria administração municipal uma das principais vitrines da produção rural de Careiro, reunindo produtores, pecuaristas, agricultores familiares e empreendedores, mas, neste ano, a realização da feira passou a ser acompanhada por uma questão que vai além da programação artística ou da estrutura do evento: a capacidade financeira da Prefeitura de manter uma grande festividade enquanto ainda enfrenta cobranças para regularizar compromissos básicos da administração pública.

O adiamento para novembro ocorre, portanto, depois de semanas de questionamentos do Ministério Público e de uma decisão judicial que manteve o evento, mas colocou sob escrutínio as contas da Prefeitura e determinou medidas de transparência e controle. Agora, a administração terá de reorganizar o calendário da feira e, ao mesmo tempo, cumprir as exigências determinadas pela Justiça para esclarecer a situação financeira do município.

NOTA OFICIAL

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