Manaus (AM) – O espetáculo “Onà”, do dançarino e produtor cultural Eduardo Cunha, entra em cartaz na próxima semana com sessões voltadas para estudantes da rede pública das zonas periféricas de Manaus. Ao invés de levar a arte às escolas, o projeto faz o caminho inverso: os alunos serão levados ao Teatro da Instalação para viver a experiência completa do palco e da arte.
A temporada conta com três apresentações gratuitas:
📅 Terça-feira (9/7), às 9h30
📅 Sexta-feira (11/7), às 9h30 e às 15h
📍 Teatro da Instalação
⏱ Duração: 35 minutos
👥 Classificação: livre
Mais do que um espetáculo de dança, “Onà” é um convite à reflexão sobre a identidade negra, ancestralidade e resistência cultural. A palavra que dá nome à obra vem do iorubá e significa “caminho”. A proposta é fazer com que jovens negros se enxerguem nos espaços simbólicos de poder e cultura — como o teatro.
“É importante que esses estudantes se vejam nos palcos, reconhecendo sua própria história”, afirma Eduardo Cunha, criador da obra.
Um corpo que conta histórias
Inspirado em sua pesquisa de conclusão de curso pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Eduardo mescla dança contemporânea com capoeira, memórias da escravidão, rituais de resistência e trilha sonora ao vivo com violoncelo, percussão e música eletrônica.
A coreografia é dividida em cinco partes: Em Silêncio, Sussurros, Ginga, Mata e Batuque, todas inspiradas na história da escravidão e na luta dos povos afro-brasileiros.
“Quando os negros eram separados e não podiam falar, restavam os sussurros, os gestos, os olhares. É uma resistência silenciosa que ainda vive nos nossos corpos”, explica o artista.
Mais do que dança: pertencimento
Além de espetáculo, “Onà” é também um projeto de educação, inclusão e fortalecimento da autoestima de jovens da periferia. Para isso, a produção inclui intérprete de Libras, equipe treinada para acessibilidade e um compromisso claro com o protagonismo negro na cultura amazônica.
A ida ao Teatro da Instalação também tem um papel simbólico: mostrar que esse espaço também pertence às periferias. Para Eduardo, isso ajuda a construir pertencimento e romper barreiras históricas de exclusão.
Arte como afirmação de identidade
O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, por meio de edital voltado ao povo negro e comunidades tradicionais. Para Eduardo, o espetáculo também representa sua própria trajetória como artista negro, periférico e independente:
“É o meu corpo dizendo: eu existo, eu tenho história e eu danço”, finaliza.









