EUA – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31) que não avalia realizar ataques dentro da Venezuela, rebatendo especulações sobre uma possível ampliação das ações militares norte-americanas na região. A declaração foi dada a jornalistas a bordo do Air Force One, após questionamentos sobre relatos de que o governo estaria considerando alvejar instalações militares venezuelanas usadas para o tráfico de drogas. “Não”, respondeu Trump de forma categórica.
Nas últimas semanas, Washington reforçou sua presença militar no Caribe, com o envio de caças, navios e milhares de soldados, movimento que se intensificará com a chegada do porta-aviões USS Gerald Ford e seu grupo de ataque naval. Recentemente, o Wall Street Journal noticiou que o governo estuda atingir estruturas venezuelanas supostamente ligadas ao narcotráfico, tema que ganhou destaque após o aumento das operações antidrogas na região.
Desde setembro, ao menos 14 ações militares foram registradas contra embarcações no Caribe e no Pacífico, resultando em dezenas de mortos. O governo americano afirma que as operações miram organizações criminosas envolvidas no tráfico internacional. Além disso, Trump autorizou operações secretas da CIA no país vizinho, elevando as tensões diplomáticas.
Acusado de corrupção e narcotráfico pelos Estados Unidos — acusações que rejeita — o presidente venezuelano Nicolás Maduro acusa Washington de tentar promover uma mudança de regime à força. O líder chavista diz que as Forças Armadas e a população venezuelana resistirão a qualquer tentativa de intervenção.
Enquanto isso, a oposição venezuelana permanece dividida. Um grupo liderado por María Corina Machado apoia uma postura mais firme por parte dos EUA, inclusive com eventual uso de tropas americanas, alegando que Maduro representa uma ameaça à segurança dos EUA. Outra ala, liderada por Henrique Capriles, descarta o caminho militar e defende o retorno às negociações com o governo chavista, apesar do histórico limitado de avanços.
A fragmentação do grupo opositor — marcada por anos de repressão política, prisões e exílios — deixa analistas e parte da população venezuelana em posição delicada. “É difícil apoiar qualquer um dos lados”, afirmou um cientista político venezuelano, sob condição de anonimato por temer retaliações. Para ele, Capriles não reúne força suficiente para derrotar Maduro, enquanto Machado depende fortemente do apoio de Trump, que já endureceu medidas contra venezuelanos nos EUA.
“Não há um cenário que pareça apontar para um desfecho positivo”, resumiu.











