Washington (EUA) – O governo dos Estados Unidos cancelou mais de 6 mil vistos de estudantes somente neste ano, informou uma autoridade do Departamento de Estado na última segunda-feira (18). A medida ocorre em meio ao reforço das políticas migratórias da administração Trump, que tem adotado uma linha dura contra estrangeiros acusados de violar a legislação ou de apoiar atividades consideradas hostis.
De acordo com o órgão, cerca de 4 mil vistos foram revogados por infrações legais, como casos de agressão, direção sob efeito de álcool e roubo. Outros 200 a 300 documentos foram suspensos por supostas ligações com terrorismo, com base na Lei de Imigração e Nacionalidade, que prevê a inadmissibilidade de estrangeiros envolvidos em atividades relacionadas ao extremismo.
As revogações ganharam destaque após a cobertura da Fox News e acontecem em um momento de forte pressão do governo contra estudantes internacionais que participam de protestos em universidades sobre a guerra em Gaza. Autoridades chegaram a acusá-los de antissemitismo e apoio a grupos terroristas.
Um dos episódios mais repercutidos foi o da doutoranda turca Rumeysa Ozturk, da Universidade Tufts (Massachusetts), que teve o visto cancelado e foi detida por agentes federais em março, sendo libertada apenas em maio por decisão judicial.
Além da intensificação das fiscalizações, novos critérios foram estabelecidos para a concessão de vistos de estudante. Em junho, o Departamento de Estado orientou embaixadas e consulados a avaliarem possíveis sinais de “atitudes hostis” contra cidadãos, instituições e valores norte-americanos. Candidatos também passaram a ser obrigados a disponibilizar seus perfis em redes sociais para análise, sob pena de suspeita de ocultação de atividades.
O secretário de Estado, Marco Rubio, saiu em defesa da política. “Não existe um direito constitucional a um visto de estudante. Trata-se de uma concessão que podemos negar ou revogar a qualquer momento, caso surjam informações relevantes”, afirmou em entrevista no início de agosto.
Em 2024, os EUA emitiram cerca de 400 mil vistos F1 para estudantes. Porém, com a suspensão temporária de entrevistas e os novos requisitos de checagem, especialistas projetam uma queda significativa neste ano.
Um levantamento da Associação de Educadores Internacionais (NAFSA), em parceria com a JB International, estima que a matrícula de novos estudantes estrangeiros pode cair entre 30% e 40%, impactando a presença geral de alunos internacionais em até 15% já neste outono.
Segundo a entidade, a retração poderia representar uma perda de US$ 7 bilhões para a economia americana e a eliminação de mais de 60 mil empregos ligados a universidades e comunidades que dependem financeiramente desse fluxo de estudantes. Sem uma retomada nas emissões, até 150 mil alunos estrangeiros a menos podem ingressar nas instituições norte-americanas neste ano.











