Família de Benício Xavier realiza protesto em frente ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas

Manaus (AM) – Familiares e amigos de Benício Xavier de Freitas, de seis anos, realizaram nesta segunda-feira (1º) um protesto pacífico em frente ao CRM-AM, na zona Centro-Oeste da capital, para exigir respostas sobre o atendimento que resultou na morte do menino no último fim de semana.
Foto: Reprodução

Manaus (AM) – Familiares e amigos de Benício Xavier de Freitas, de seis anos, realizaram nesta segunda-feira (1º) um protesto pacífico em frente ao CRM-AM, na zona Centro-Oeste da capital, para exigir respostas sobre o atendimento que resultou na morte do menino no último fim de semana. O ato reuniu cartazes, velas e pedidos de justiça, enquanto a comunidade pressiona por transparência nas apurações.

Benício foi levado ao Hospital Santa Júlia no sábado (23) com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. Segundo os pais, a equipe médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina por via intravenosa — um procedimento que, de acordo com familiares e laudos preliminares, não seria adequado para o quadro da criança.

Logo após a primeira dose, Benício apresentou piora grave: descoloração, dificuldade para respirar, sofrimento e, em seguida, sofreu seis paradas cardiorrespiratórias. Ele foi transferido para a UTI e intubado, mas não resistiu.

O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que registrou o caso como homicídio culposo, e também está sob análise ética do CRM-AM. O hospital afastou a médica responsável, Juliana Brasil Santos, e a técnica de enfermagem envolvida no atendimento.

Para a família, trata-se de um “erro sistêmico” que evidencia falhas graves no atendimento de saúde infantil. A mãe de Benício questionou a administração da adrenalina por via intravenosa, afirmando que a medicação já havia sido usada anteriormente pela via correta e nunca provocara problema.

Durante o protesto, o pai, Bruno Freitas, emocionado, declarou: “O coração do nosso filho queimou e o nosso hoje sangra”. A mobilização também denunciou a suposta ausência de fiscalização adequada, como a falta de farmacêutico no momento da administração — fator que, segundo familiares, poderia ter evitado a tragédia.

O CRM-AM informou que o processo ético-profissional tramita em sigilo e que não dará mais detalhes até a conclusão da apuração. A comissão interna do hospital concluiu a análise técnica e encaminhou os autos às autoridades competentes; no entanto, o mistério sobre os protocolos adotados e as responsabilidades ainda permanece.

Os manifestantes afirmam que continuarão cobrando respostas e prometem novas mobilizações caso o caso não tenha desdobramentos concretos. A comunidade espera que o desfecho da investigação não seja mais uma dor esquecida, mas um alerta permanente sobre a importância de segurança e ética na assistência médica infantil.

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