Brasília (DF) – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou que iniciará um estudo pioneiro para avaliar a incorporação de uma injeção semestral de prevenção ao HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pela própria instituição, que lidera a pesquisa denominada ImPrEP LEN Brasil e pretende reunir dados que podem orientar futuras políticas públicas de prevenção.
O estudo usará o medicamento lenacapavir, produzido pela farmacêutica Gilead Sciences, e aprovado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV-1. O fármaco é administrado por injeção subcutânea a cada seis meses, oferecendo alternativa com potencial de maior adesão em comparação aos métodos convencionais diários.
A pesquisa será voltada a populações com maior risco de contrair o vírus, incluindo homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. Antes de participar, os voluntários deverão realizar teste com resultado negativo para HIV-1 e atender aos critérios de elegibilidade.
As aplicações da vacina em estudo serão realizadas em sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ). A Fiocruz informou que as doses já foram disponibilizadas pela fabricante, porém o início efetivo das aplicações depende agora da chegada de agulhas específicas ao Brasil, necessárias para a administração do medicamento.
Especialistas apontam que, se os resultados forem positivos, a estratégia pode representar um avanço significativo nas ações de prevenção ao HIV no país, ampliando opções de cuidado e facilitando o acesso a métodos eficazes e menos invasivos para populações vulneráveis.











