Campo Grande (MS) – Pelo menos quatro frigoríficos de Mato Grosso do Sul interromperam a produção de carne bovina destinada ao mercado dos Estados Unidos após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa extra de 50% sobre produtos brasileiros. A decisão foi confirmada pelo governo estadual e pelo Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do Estado (Sincadems). A produção nacional segue normal.
Segundo o sindicato, a medida é estratégica e busca evitar o acúmulo de carne que não será comercializada devido à inviabilidade financeira com a nova taxação, que começa a valer em 1º de agosto. “Se eu produzir e enviar carne hoje, a carga chegará aos EUA já com a tributação adicional”, explicou Alberto Sérgio Capucci, vice-presidente do Sincadems.
Os frigoríficos que suspenderam as atividades voltadas ao mercado norte-americano são:
- JBS
- Naturafrig
- Minerva Foods
- Agroindustrial Iguatemi
Apenas a Naturafrig comentou oficialmente, afirmando que 5% da produção da empresa era destinada aos EUA. As demais companhias foram procuradas, mas não se pronunciaram até o momento.
Estoques e destinos alternativos
A situação preocupa empresários e o governo estadual devido ao estoque de carne parado. “Há um volume que não tem mais tempo hábil de chegar ao destino antes do início da nova tarifa. Agora, os frigoríficos buscam realocar esse produto”, disse o secretário Jaime Verruck. Entre os novos mercados em análise estão Chile e Egito.
De acordo com a Federação das Indústrias de MS (FIEMS), a carne bovina desossada e congelada foi o principal item exportado pelo estado aos EUA em 2025, representando 45,2% das vendas, com receita de US$ 142 milhões. Em 2024, o produto havia sido o segundo mais exportado, com US$ 78 milhões.
Outros setores também afetados
Além da carne, outros setores brasileiros estão sofrendo com o impacto da decisão de Trump:
- Mel: Exportadores do Piauí propõem dividir a taxa com compradores norte-americanos.
- Suco de laranja: Tarifa eleva imposto para 70%, ameaçando milhares de empregos.
- Celulose: Setor teme queda nas exportações e prejuízos bilionários.
O governo brasileiro ainda não anunciou uma medida oficial de resposta, enquanto entidades como a Amcham Brasil e a Câmara de Comércio dos EUA pedem uma solução diplomática urgente para evitar danos econômicos maiores.
Nota na íntegra da Abiec:
“Faz poucos dias que recebemos essa notícia, e o setor está tentando entender como deve atuar para reescalonar e redirecionar as cargas e a produção. O fato é que as indústrias brasileiras já decidiram pausar temporariamente a produção destinada aos Estados Unidos. Houve uma redução significativa no fluxo de produção da carne específica voltada ao mercado norte-americano. O rearranjo está sendo feito com novos parceiros que buscamos intermediar ao redor do mundo, com possibilidades de novas aberturas de mercado. Mas, de forma imediata, esse redirecionamento ocorre para países com os quais já mantemos exportações. Obviamente, China, Sudeste Asiático e Oriente Médio são os destinos mais evidentes nesse momento em que os Estados Unidos, eventualmente, não poderão receber essa carne. As indústrias, de fato, reduziram bastante a produção voltada aos Estados Unidos. Essa é a realidade. Estamos um pouco apreensivos quanto ao que pode acontecer. Por isso, aguardamos o avanço das negociações governamentais, enquanto, no setor privado, atuamos com os importadores e com as empresas brasileiras para entender de que forma também podemos contribuir para influenciar o governo americano a rever essa decisão em relação aos produtos brasileiros. Essa tem sido a nossa atuação no dia de hoje”.










