Manaus (AM) – A forte concentração de fumaça que encobriu Manaus nesta quinta-feira (8) levou duas das principais instituições de ensino da capital a retirar estudantes e servidores das atividades presenciais. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) suspenderam aulas e atividades administrativas nos campi da capital como medida de prevenção diante da condição do ar.
A decisão da Ufam foi tomada nas primeiras horas da manhã. Segundo a universidade, a expectativa era de que os ventos durante a madrugada ajudassem a dispersar a fumaça, o que não aconteceu.
Com a mudança, as atividades acadêmicas e administrativas passaram a ser realizadas remotamente. Os serviços considerados essenciais e que não podem ser interrompidos presencialmente continuam funcionando. A instituição também orientou os trabalhadores que permanecerem nos campi a reforçar os cuidados, incluindo o uso de máscaras e a hidratação.
No Ifam, o Campus Manaus Zona Leste também suspendeu as atividades presenciais. A instituição informou que a decisão levou em consideração os dados registrados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
As atividades do instituto seguem de forma remota, conforme as orientações internas. Novas medidas poderão ser anunciadas caso as condições ambientais sofram novas alterações.
Ar em condição considerada péssima
A situação da qualidade do ar chamou atenção logo nas primeiras horas do dia. Dados do Selva apontaram classificação “péssima” em diferentes pontos de Manaus.
Entre as áreas com registros mais elevados estavam Morro da Liberdade, Educandos e regiões próximas. Os índices chegaram a 211 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas poluentes.
Para efeito de comparação, o Selva considera boa a qualidade do ar quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Conforme os níveis aumentam, a classificação passa por diferentes faixas até chegar às condições mais críticas.
Outro fator que pode ter contribuído para a concentração da fumaça é o incêndio que atinge uma área particular usada para descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, na Zona Leste da capital.
Incêndio continua sendo combatido
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantém o trabalho de combate ao incêndio que começou na tarde de terça-feira (6) em uma área utilizada como lixão particular.
Até a noite de quarta-feira (7), o fogo já havia atingido uma área superior a 15 mil metros quadrados, segundo os bombeiros. As equipes atuavam principalmente em pontos mais profundos do terreno, onde ainda havia focos.
A fumaça também afetou trabalhadores de uma fábrica localizada nas proximidades. Funcionários que chegaram para trabalhar precisaram ser dispensados devido à presença intensa de fumaça e ao risco provocado pelas chamas.
Além do uso de água, os bombeiros utilizaram um caminhão para despejar barro em alguns pontos do terreno, com o objetivo de reduzir a intensidade do fogo.
As causas do incêndio ainda são investigadas. A avaliação inicial dos bombeiros é de que uma fagulha ou outra fonte de ignição possa ter iniciado um pequeno foco, que teria se espalhado rapidamente devido às condições de vento.
Empresa é multada em R$ 5,5 milhões
Após uma fiscalização realizada na área, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma multa de R$ 5,555 milhões à empresa responsável pelo terreno.
O local pertence ao Auto Posto Lima. Em manifestação ao g1, a empresa afirmou que a origem e as causas do incêndio ainda estão sendo apuradas pelas autoridades e declarou que está colaborando com os órgãos responsáveis pela fiscalização e investigação.
Além da fumaça provocada pelo incêndio, Manaus já vinha registrando influência de queimadas em outras áreas do Amazonas e condições de tempo seco. A previsão também indica ausência de chuva nos próximos dias, cenário que pode dificultar a dispersão dos poluentes.










