Pauini (AM) – O preço dos combustíveis no Amazonas atingiu um patamar crítico em fevereiro de 2026, expondo um cenário de profunda desigualdade econômica entre a capital e o interior. No município de Pauini, localizado na calha do Rio Purus, o litro da gasolina comum já é comercializado por R$ 9,80, o maior valor registrado em todo o território amazonense até o momento.
O dado, consolidado a partir de monitoramentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procon-AM e plataformas de fiscalização, revela um contraste gritante: enquanto Pauini amarga o topo da tabela, em Careiro o combustível é encontrado por R$ 6,49. A diferença de R$ 3,31 por litro entre as duas cidades representa uma variação superior a 50%.
O Amazonas ocupa atualmente a segunda posição no ranking nacional de preço médio da gasolina comum, estabelecido em R$ 7,31. Em Manaus, a média flutua em torno de R$ 6,98, mas o isolamento geográfico empurra os valores para cima conforme a distância da capital aumenta:
A crise não se restringe aos postos de combustível. Em Pauini, o gás de cozinha (GLP) também rompeu barreiras históricas, sendo vendido a R$ 165,00 o botijão de 13kg — valor 49% superior à média nacional de R$ 110,38.
Logística e Falta de Concorrência
Especialistas e órgãos de controle apontam uma “tempestade perfeita” para explicar os preços abusivos. O principal fator é a logística fluvial: o combustível viaja semanas em balsas, enfrentando custos elevados de frete, armazenamento e os riscos da vazante dos rios.
No entanto, a população e o Procon-AM investigam outro fator determinante: a formação de cartéis. Em muitas cidades do interior, o fornecimento é concentrado nas mãos de poucos empresários regionais. Sem concorrência real, os preços seriam ajustados de forma arbitrária.
“A logística é a vilã oficial, mas a falta de competitividade permite que margens de lucro sejam infladas sem qualquer freio regulatório”, aponta o relatório de monitoramento local.
Fiscalização
O Procon-AM tem intensificado as notificações para que revendedores de municípios como Pauini e Eirunepé apresentem as notas fiscais de compra junto às distribuidoras, a fim de comprovar se o repasse ao consumidor final é justificado pelos custos operacionais ou se configura lucro abusivo.












