Governo federal se reúne no Planalto após megaoperação no Rio que deixou 64 mortos

Encontro convocado por Geraldo Alckmin discutiu ação policial mais letal da história do estado e tensões entre União e governo fluminense
Foto: Divulgação

Brasília (DF) – O governo federal realizou, no fim da tarde desta terça-feira (28), uma reunião emergencial no Palácio do Planalto para discutir os desdobramentos da megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou ao menos 64 mortos e se tornou a mais letal da história do estado. O encontro durou cerca de uma hora e foi convocado pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin.

Participaram da reunião os ministros Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secom), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), além de representantes da Justiça, Defesa e Polícia Federal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou, pois estava em voo de retorno da Malásia para Brasília, com previsão de chegada por volta das 20h40. A aeronave presidencial não possui comunicação externa nem acesso à internet, conforme informou a colunista Julia Duailibi, do g1. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também está a bordo do mesmo voo, enquanto o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, cumpre agenda oficial no Ceará.

Tensão entre governos

A operação, que teve como alvo a facção criminosa Comando Vermelho (CV), provocou um embate público entre o governo do Rio de Janeiro e o governo federal.

Em coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro (PL) afirmou estar “sozinho” na condução do combate ao crime organizado e acusou a União de negar apoio logístico. Segundo ele, o governo estadual solicitou empréstimos de veículos blindados das Forças Armadas em diferentes ocasiões ao longo do ano, mas os pedidos foram recusados sob a justificativa de que seria necessária a decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

“Tivemos pedidos negados três vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, disse Castro.

A GLO, prevista na Constituição Federal, autoriza o emprego temporário das Forças Armadas em situações excepcionais de segurança pública, quando as forças estaduais não conseguem restabelecer a ordem. Nesses casos, Exército, Marinha e Aeronáutica passam a atuar com poder de polícia, sob comando direto do presidente da República.

Posicionamento da Defesa

Em nota oficial, o Ministério da Defesa informou que recebeu um pedido do governo do Rio em janeiro de 2025, relacionado à tragédia de dezembro de 2024, quando uma capitã de Mar e Guerra da Marinha morreu após ser atingida por uma bala perdida no Hospital Naval Marcílio Dias.

A pasta explicou que, diante do ocorrido, blindados foram posicionados nos arredores do hospital — dentro do limite legal de 1.400 metros em torno de instalações militares — para garantir a segurança da área e dos militares, sem que isso configurasse uma operação de GLO.

A Polícia Federal e o Ministério da Justiça devem apresentar relatórios sobre a operação nas próximas horas.

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