Há 5 anos, crise de oxigênio em Manaus escancarou colapso da saúde e deixou marcas profundas

Falta de insumos no auge da pandemia de Covid-19 elevou mortes, expôs falhas na gestão e ainda repercute em indenizações e debates sobre responsabilidades

Manaus (AM) – Há cinco anos, Manaus viveu um dos capítulos mais trágicos da pandemia de Covid-19 no Brasil: a falta de oxigênio hospitalar nos principais hospitais da capital amazonense desencadeou um colapso no sistema de saúde, agravando ainda mais o já intenso impacto da doença e contribuindo para um aumento de mortes e sofrimento entre pacientes e famílias.

Na madrugada de 14 de janeiro de 2021, diversos hospitais públicos ficaram sem o insumo essencial para tratar pacientes graves de Covid-19, o que levou médicos a terem de escolher quem receberia oxigênio e, em muitos casos, resultou em óbitos por asfixia.

O reflexo imediato foi um aumento abrupto no número de mortes, com o Amazonas registrando recordes diários de óbitos naquele período. Somente entre os dias 14 e 18 de janeiro, o total de mortes por Covid-19 saltou para uma média de 141 por dia, bem acima da média anterior à crise.

A crise expôs não apenas a insuficiência de insumos, mas também a vulnerabilidade estrutural do sistema de saúde no estado, que já operava com ocupação máxima de leitos de UTI e filas de espera por atendimento. Familiares de pacientes chegaram a formar filas para tentar adquirir cilindros de oxigênio por conta própria, diante da desesperadora falta do produto nas unidades hospitalares.

O que foi feito e as consequências

Para enfrentar o desabastecimento, o governo federal e órgãos de defesa civil mobilizaram esforços para enviar cargas de oxigênio por via aérea e fluvial, inclusive trazendo insumo de outros estados e da própria Venezuela. Pacientes estáveis foram transferidos para outras unidades de saúde fora do Amazonas pela Força Aérea Brasileira.

Apesar dessas ações emergenciais, o trauma daquela semana profunda ainda reverbera. Em dezembro de 2023, a Justiça Federal determinou a indenização de R$ 1,4 milhão a familiares de uma vítima da crise do oxigênio — valor a ser pago solidariamente pela União, pelo governo do estado e pela prefeitura de Manaus, em reconhecimento à omissão que contribuiu para o agravamento da tragédia.

Responsabilidades e críticas

Debates sobre a responsabilidade pela crise foram intensos. Autoridades estaduais e federais trocaram versões sobre o preparo e a resposta à emergência, enquanto senadores e especialistas apontaram contradições e atrasos nas ações, inclusive na previsão de falta de oxigênio e no envio de reforços logísticos.

A situação também foi objeto de investigações em esferas políticas e judiciais, sendo citada em comissões parlamentares de inquérito sobre a gestão da pandemia. Espera-se que os processos continuem a esclarecer detalhadamente o que falhou na coordenação das medidas de saúde pública e logística de insumos em um momento crítico.

Cinco anos depois, a tragédia da falta de oxigênio em Manaus permanece como um marco doloroso da pandemia, lembrando a importância de planejamento, investimento e transparência na gestão de crises sanitárias, lições que autoridades e a sociedade ainda buscam absorver integralmente.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *