Inquérito sobre morte de menino em Itapiranga é concluído e pai responderá por crime de maus-tratos

Investigação revelou que o pai lançou uma mochila com facas contra o filho de 6 anos durante um castigo; suspeito segue preso.

Itapiranga (AM) – A investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) sobre a morte do menino Raelyson da Silva, 6, apontou que a criança foi vítima de maus-tratos praticados com excesso nos meios de correção, resultando em morte. Com a conclusão do inquérito pela 38ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), o caso foi reclassificado, descartando-se a linha inicial de homicídio doloso.

Segundo os elementos colhidos pela equipe do delegado Aldiney Nogueira, que incluem depoimentos, imagens e laudos periciais, a apuração revelou que o pai não agiu com a intenção deliberada de tirar a vida do filho, mas cometeu uma ação imprudente e desproporcional ao aplicar uma punição disciplinar.

A apuração detalhou que o crime ocorreu no dia 18 de julho, em Itapiranga, no momento em que o pai arremessou uma mochila diretamente contra a criança como forma de castigo. No interior da bolsa, contudo, estavam guardadas duas facas utilizadas em uma pescaria realizada no dia anterior. Com o impacto, uma das lâminas perfurou as costas do menino, provocando um ferimento fatal.

Inicialmente, o homem sustentou à polícia que o filho havia sofrido uma queda acidental sobre uma faca. Confrontado pelas evidências reunidas ao longo dos trabalhos investigativos, ele acabou confessando ter lançado o objeto contra o garoto, alegando que não se lembrava de que os utensílios cortantes permaneciam guardados no interior da mochila.

Diante do conjunto de provas, a Polícia Civil concluiu que a conduta do pai caracteriza abuso nos meios de disciplina com resultado morte, afastando as hipóteses de homicídio doloso ou culposo. O investigado teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça e permanece detido. Com a remessa do inquérito concluído ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), caberá agora ao órgão promotor analisar o material produzido pela investigação para formalizar a denúncia criminal.

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