Coari (AM) – Em meio aos desdobramentos da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal, a presidente da Câmara Municipal de Coari, Jeany de Paula Amaral Pinheiro, tomou posse como prefeita interina do município. A parlamentar é irmã de Adail Pinheiro, prefeito afastado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A troca no comando do Executivo municipal ocorreu na quarta-feira (16), em uma cerimônia realizada na sala de reuniões da Prefeitura, local utilizado temporariamente devido a obras no prédio da Câmara.
Duplo Impedimento e Mudança no Comando
A vacância temporária do cargo foi provocada por uma sequência de decisões judiciais e administrativas. O prefeito Adail Pinheiro foi afastado do cargo por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base no artigo 319 do Código de Processo Penal, juntamente com secretários municipais e o vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, formalizou pedido de licença das funções por meio de ofício enviado à Câmara. Diante do duplo impedimento na chapa majoritária, a Mesa Diretora convocou Jeany Pinheiro para assumir a chefia do Executivo. Com a mudança, o vice-presidente da Casa Legislativa, vereador Orleilson de Oliveira Lima, assumiu a presidência da Câmara Municipal.
Operação Dinastia do Lago e Apreensão de R$ 400 mil
A Operação Dinastia do Lago investiga a atuação de uma suposta organização criminosa instalada na Prefeitura de Coari, com foco em fraudes a licitações, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Além do prefeito afastado, um dos principais alvos da ação é seu filho, o deputado federal Adail Filho (MDB-AM).
Ao todo, agentes da Polícia Federal cumpriram 29 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Manaus e Coari. Durante as diligências na residência do secretário municipal de Fazenda, os investigadores apreenderam cerca de R$ 400 mil em espécie.
Origem das Investigações
As apurações da PF começaram a partir de uma abordagem realizada em maio de 2025, quando três empresários foram flagrados transportando aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo durante um voo comercial entre Manaus e Brasília. O rastreamento da origem do montante apontou conexões diretas com contratos públicos e operados do esquema no município de Coari.










