Justiça Federal suspende ordem de despejo e Aeroclube segue em funcionamento

Manaus (AM) – A Justiça Federal suspendeu, nesta segunda-feira (20), a ordem de despejo que determinava a desocupação do Aeroclube do Amazonas (ACA), localizado no Aeródromo de Flores, zona Centro-Oeste de Manaus.
Foto: Divulgação

Manaus (AM) – A Justiça Federal suspendeu, nesta segunda-feira (20), a ordem de despejo que determinava a desocupação do Aeroclube do Amazonas (ACA), localizado no Aeródromo de Flores, zona Centro-Oeste de Manaus. A decisão garante a permanência provisória da instituição no local até a realização de uma audiência de conciliação, marcada para o dia 22 de outubro.

O Aeroclube, fundado em 1940, é considerado um dos maiores símbolos da aviação civil na Região Norte e responsável pela formação de centenas de pilotos, comissários e profissionais do setor. A suspensão da ordem foi recebida com alívio por alunos, instrutores e associados que temiam o encerramento das atividades após o prazo de despejo determinado pela Justiça.

Segundo o presidente do Aeroclube, Cassiano Ouroso, a decisão judicial de despejo foi comunicada na última quarta-feira (15), com apenas cinco dias para a saída do local. “Estamos aqui há 85 anos, formando pilotos e contribuindo com o desenvolvimento da aviação e do turismo do Amazonas. A suspensão da ordem mostra que a Justiça está disposta a ouvir e compreender a importância histórica e social do Aeroclube”, declarou.

A disputa judicial teve início em 2023, quando o governo federal transferiu oficialmente a gestão do Aeródromo de Flores para a Infraero, que passou a reivindicar a posse da área ocupada pela instituição. A direção do Aeroclube afirma que a medida ameaça interromper décadas de contribuição à aviação regional e nacional.

Ouroso destacou ainda que o Aeroclube abriga o Centro de Instrução e Aviação Civil (CIAC), responsável pela formação de dezenas de novos pilotos todos os anos. “Somente no ano passado, formamos 33 pilotos, e a previsão para este ano era dobrar esse número. O despejo colocaria todo esse trabalho em risco”, ressaltou.

Sem receber repasses públicos, o Aeroclube se mantém com recursos próprios, provenientes de mensalidades dos associados e dos cursos de formação. Além de sua relevância técnica, a instituição também exerce papel cultural e social, sendo palco de eventos tradicionais como a chegada do Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa, que reúnem famílias e entusiastas da aviação.

Com 84 anos de história, o Aeroclube do Amazonas é uma das instituições mais antigas e respeitadas da aviação civil brasileira. A suspensão da ordem de despejo representa, por ora, um alívio temporário, mas o impasse judicial segue sem solução definitiva.

A audiência de conciliação entre o Aeroclube e a Infraero está marcada para o próximo dia 22 de outubro, quando as partes devem tentar um acordo para evitar que a escola de aviação mais antiga da Região Norte encerre suas atividades.

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