Laudo descarta erro de sistema no Caso Benício e contraria versão de médica 

Manaus (AM) – Um laudo pericial do Instituto de Criminalística do Amazonas concluiu que não houve qualquer falha técnica no sistema eletrônico de prescrição médica utilizado pelo Hospital Santa Júlia, no dia da morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos.

Manaus (AM) – Um laudo pericial do Instituto de Criminalística do Amazonas divulgado na última quinta-feira (22/1) concluiu que não houve qualquer falha técnica, mau funcionamento ou erro automático no sistema eletrônico de prescrição médica utilizado pelo Hospital Santa Júlia, contrariando a principal linha de defesa apresentada pela médica investigada no caso da morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, em novembro de 2025.  

A criança morreu após receber doses de adrenalina por via intravenosa, quando o protocolo adequado seria, conforme investigações, a administração por via inalatória. A defesa da médica havia alegado que o software de prescrição – o Tasy EMR – teria alterado automaticamente a via indicada, levando ao erro. No entanto, a perícia técnica comprovou que o sistema operava dentro das especificações e que qualquer mudança da via de administração depende exclusivamente da ação deliberada do profissional de saúde, e não de um bug ou instabilidade da ferramenta.  

Segundo os peritos, embora o sistema apresente inicialmente a via intravenosa como padrão em algumas configurações, o médico tem plena autonomia para alterar essa opção e salvar a prescrição sem interferência indevida do software. Testes controlados realizados na própria unidade hospitalar demonstraram que o sistema respeita as alterações manuais feitas pelo usuário, sem reverter ou modificar dados sem comando explícito.  

O laudo agora se torna peça central no inquérito policial conduzido pelo delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), movimentando a investigação no sentido de apurar a conduta dos profissionais envolvidos — especialmente no que diz respeito às escolhas feitas durante o atendimento e à adesão aos protocolos de segurança.  

A conclusão pericial reduz espaço para a tese de erro sistêmico e concentra o escrutínio no comportamento humano e no cumprimento das normas internas de prescrição, administração e checagem de medicamentos de alta vigilância. Autoridades policiais e membros do Conselho Regional de Medicina também acompanham o caso, que segue em investigação sob a hipótese de homicídio doloso qualificado.  

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