Macron reafirma oposição da França ao acordo UE–Mercosul e cobra novas garantias

Presidente francês diz que pacto ameaça agricultores e promete barrar tentativa de aprovação sem salvaguardas adicionais
Foto: Reuters/Stephanie Lecocq

França – O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a se posicionar contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, nesta quinta-feira (18), em Bruxelas. Segundo ele, o país não apoiará a ratificação do pacto enquanto não houver garantias mais robustas para proteger os agricultores franceses.

Antes de participar da cúpula da UE, Macron afirmou à imprensa que, na avaliação do governo francês, o acordo “não fecha as contas” e, nas condições atuais, não deve ser assinado. O presidente também deixou claro que a França irá se opor a qualquer tentativa de acelerar ou impor a adoção do tratado.

Preocupação com o setor agrícola

A resistência francesa tem como principal base a pressão do setor agrícola, que vê o acordo com o Mercosul como uma ameaça. Produtores alegam que países sul-americanos seguem normas ambientais e sanitárias menos rigorosas, o que poderia gerar concorrência desleal, especialmente em produtos como carne bovina, aves e açúcar.

Embora a Comissão Europeia tenha apresentado mecanismos de proteção para os setores considerados mais vulneráveis, os agricultores franceses consideram as medidas insuficientes. Nesta semana, o Parlamento Europeu aprovou dispositivos de salvaguarda e criou um sistema de monitoramento para avaliar impactos do acordo em produtos sensíveis, permitindo a aplicação de tarifas em caso de desequilíbrio de mercado.

Entre os critérios debatidos está a possibilidade de intervenção da Comissão Europeia se os preços de produtos importados da América Latina ficarem pelo menos 5% abaixo dos praticados na UE, ou se houver aumento superior a 5% no volume de importações sem tarifas.

Risco de bloqueio do acordo

Apesar dessas iniciativas, Paris segue defendendo o adiamento da assinatura do acordo, que a União Europeia pretende concluir no sábado (20), durante agenda no Brasil. O posicionamento da Itália pode ser decisivo no desfecho.

Nos últimos meses, o governo italiano demonstrou posições ambíguas, mas, se optar por se alinhar à França — ao lado de Polônia e Hungria —, poderá formar uma maioria qualificada capaz de impedir a ratificação do tratado.

Na quarta-feira (17), a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que considera “prematuro” assinar o acordo neste momento. Em discurso no Parlamento italiano, ela defendeu garantias de reciprocidade mais claras para proteger o setor agrícola europeu e disse acreditar que as condições necessárias poderão ser alcançadas no início do próximo ano.

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul foi concluído há cerca de um ano, após mais de duas décadas de negociações, envolvendo Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem viagem prevista ao Brasil para tratar da assinatura do pacto, que ainda enfrenta forte resistência política dentro do bloco europeu.

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