O caso Isabella Nardoni volta a provocar uma ferida que nunca cicatrizou. Enquanto o STJ analisa um pedido que pode levar Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá novamente ao regime fechado, Ana Carolina Oliveira, mãe da menina, fez um novo apelo nas redes sociais.
Em um vídeo publicado no Instagram, Ana Carolina falou sobre a dor de ver os dois em liberdade e criticou a distância entre a condenação e a realidade que enfrenta desde a morte da filha. Para ela, a Justiça ainda não representa o desfecho que esperava.
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“Torço para que esses dois voltem para a cadeia. de onde eles nunca deveriam ter saído. Porque ver os dois vivendo em liberdade na mesma região onde eu moro, inclusive uma pessoa da minha família, próxima, encontrou com eles na rua (agindo) como se nada tivesse acontecido. Eu tenho que garantir que isso é muita dor e, de verdade, eu não desejo isso para absolutamente ninguém”, afirmou.
STJ analisa pedido para mudar regime de Nardoni e Jatobá
A manifestação acontece justamente enquanto a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça analisa um mandado de segurança que questiona o cumprimento do regime aberto pelos dois.
Conforme as informações apresentadas no processo, o pedido partiu da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo. A entidade aponta possíveis descumprimentos das condições impostas para a permanência de Alexandre e Anna Carolina no regime aberto.
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O julgamento começou na última quinta-feira, 27 de agosto, e deve seguir até 2 de setembro. O processo tramita em segredo de Justiça, portanto, não há acesso público a todos os detalhes da discussão.
A associação também pediu medidas como monitoramento por tornozeleira eletrônica, avaliações psiquiátricas e fiscalização das condições estabelecidas para o regime aberto.
Caso Isabella completa anos e volta ao centro do debate
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela morte de Isabella Nardoni, em 2008. A menina tinha 5 anos quando morreu após cair do sexto andar do prédio onde o pai morava, em São Paulo.
Em 2010, o Tribunal do Júri condenou Alexandre a 31 anos, 1 mês e 10 dias de prisão. Anna Carolina recebeu pena de 26 anos e 8 meses. Os dois negam o crime.
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A progressão de regime ocorreu em momentos diferentes. Anna Carolina passou ao regime aberto em 2023, enquanto Alexandre obteve a progressão em 2024.
O próprio STJ já havia determinado, em 2023, que a Justiça de São Paulo analisasse o pedido de progressão de Anna Carolina ao regime aberto. Na ocasião, a Quinta Turma afastou a exigência de um teste de Rorschach como condição para que o pedido fosse apreciado.
Abaixo-assinado reacendeu discussão sobre liberdade dos dois
A nova disputa judicial ganhou força após um abaixo-assinado organizado por moradores de Santana, na Zona Norte de São Paulo, em 2025. O documento reuniu mais de 2 mil assinaturas e registrou reclamações sobre a presença do ex-casal na região.
A partir dessa mobilização, a associação levou o caso ao Ministério Público de São Paulo e passou a questionar o cumprimento das regras do regime aberto.
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Entre os pontos levantados estão dúvidas sobre a rotina profissional declarada por Alexandre, circulação em horários que seriam incompatíveis com as condições estabelecidas e um endereço que teria sido informado de maneira incorreta às autoridades.
Ainda conforme a entidade, existem outros elementos que justificariam uma nova avaliação da situação dos dois.
Mãe de Isabella também questiona o sentimento de impunidade
No vídeo, Ana Carolina não fala apenas sobre o processo. Ela expõe o impacto cotidiano de encontrar pessoas condenadas pela morte de sua filha vivendo novamente em liberdade na mesma região.
A fala ganha força justamente porque o caso continua presente na memória coletiva. Ao mesmo tempo, a mãe de Isabella enfrenta uma realidade que ultrapassa as decisões judiciais: a ausência da filha permanece, enquanto os responsáveis pela condenação retomaram gradualmente a vida fora da prisão.
Independentemente do resultado do julgamento atual, o STJ pode manter o regime aberto ou determinar um novo exame das alegações apresentadas pela associação. Um eventual retorno ao regime fechado, portanto, dependerá da análise judicial e dos fundamentos apresentados no processo.
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Em agosto, a Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ também apresentou uma nova representação ao Ministério Público de São Paulo. A entidade pediu a reabertura de investigações relacionadas à morte de Isabella e citou relatos sobre supostos privilégios concedidos a Anna Carolina durante o período de prisão, além de uma suposta versão diferente do crime atribuída a ela.
Fonte: O Fuxico









