As influenciadoras trans Mariana Alves, conhecida como Malévola, e Bruna Mercatelli estão de volta ao Brasil depois de enfrentarem dois dias de prisão no Egito. As duas desembarcaram no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, por volta das 22h30 de quinta-feira, 22 de outubro, e relataram momentos de medo, constrangimento e sofrimento durante a passagem pela custódia das autoridades egípcias.
Como Malévola Alves conseguiu sair da prisão no Egito
“Finalmente chegamos no Brasil”, comemorou Malévola em um vídeo publicado nas redes sociais. Ao lado da amiga, ela falou sobre o alívio de reencontrar o país e receber o apoio dos seguidores. “Um sentimento de alívio, né, amiga?”, comentou. Em seguida, completou: “Ser recebida com tanto carinho pelos brasileiros é incrível. Acho que igual os brasileiros não tem.”
No entanto, a volta para casa veio acompanhada de denúncias graves. Malévola afirmou que não pretende retornar ao Egito e descreveu as condições que, segundo ela, enfrentou durante a detenção em Alexandria. “Eu não volto para o Egito de maneira alguma. A gente tá sem celular, a gente não teve acesso a comida, a gente não teve acesso a água… foram 24 horas numa sala, sentadas numa cadeira de ferro ali em Alexandria”, contou. Depois, acrescentou: “Colocaram a gente dentro de um camburão e levaram a gente”.
A influenciadora também relatou que passou por uma situação de exposição corporal durante os procedimentos policiais. “Tive de fica pelada para eles verem meu órgão genital. Só assim para me tratar bem porque eles viram que eu era mulher”, declarou. Em seguida, resumiu como se sentiu diante do tratamento recebido: “A gente foi humilhada, a gente foi tratada como lixo”.
Denúncias às autoridades internacionais
Diante dos relatos, o advogado Jonatha Carvalho Matos afirmou que pretende buscar providências diplomáticas e recorrer a organismos internacionais de direitos humanos. O objetivo é solicitar a apuração das denúncias de transfobia e abuso que Malévola e Bruna atribuem às autoridades egípcias.
“A gente pretende acionar o Itamaraty para tomar as medidas cabíveis de forma diplomática, e dependendo até Comissão Internacional de Direitos Humanos, da pessoa LGBT e tudo mais”, declarou o advogado ao g1 na quinta-feira (22).
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Malévola Alves já esteve presa anteriormente
Além disso, a defesa informou que o celular de Malévola continua retido pelas autoridades locais. “O telefone ficou apreendido. Eles não devolveram o telefone dela. Ela está voltando ao Brasil sem o telefone”, afirmou Jonatha.
Entenda a prisão das influenciadoras no Egito
Malévola e Bruna receberam voz de prisão na última terça-feira, 20 de outubro, em Alexandria, sob a acusação de assediar pessoas nas ruas. Conforme informações da polícia egípcia, as brasileiras teriam gravado e publicado vídeos considerados ofensivos, com gestos de conotação sexual em espaços públicos. A legislação do país prevê punições para condutas classificadas como atos escandalosos e para a publicação de material considerado imoral.
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Na última quarta-feira, 21, as duas conseguiram deixar a prisão depois de pagar fiança. De acordo com a defesa, o valor total chegou a R$ 8 mil, cerca de R$ 4 mil para cada uma, permitindo que respondam ao processo em liberdade.
Entretanto, a saída da prisão não encerrou o caso. Em uma gravação publicada nas redes sociais, Malévola apareceu chorando ao descrever o impacto da experiência. “Eu fui muito humilhada, muito humilhada, muito humilhada. Muito humilhada, gente. Muito humilhada. Eu não paro de chorar desde a hora que eu cheguei aqui em Marrocos”, disse.
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A influenciadora também escreveu que, segundo seu relato, os agentes relacionaram a detenção à identidade de gênero das duas. “Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans”, publicou. Além disso, afirmou ter enfrentado crises de ansiedade e pânico e acusou policiais de abusos.
Agora, com o retorno ao Brasil, a defesa pretende buscar esclarecimentos pelas vias diplomáticas e jurídicas sobre as circunstâncias da detenção e o tratamento relatado pelas influenciadoras. As acusações ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
Fonte: O Fuxico









