Movimento “pró-Bolsonaro” reúne políticos e apoiadores na Ponta Negra

Foto: Divulgação

Manaus (AM) – A capital amazonense foi palco neste domingo (3) de mais um ato político organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, com foco em críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação, que começou com uma motociata nas proximidades da Arena da Amazônia, seguiu até a Praia da Ponta Negra, onde milhares de pessoas participaram do protesto intitulado “#Reaja, Brasil”.

O evento, promovido por lideranças locais do Partido Liberal (PL) e movimentos de direita do Amazonas, teve como principal objetivo pressionar por anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, além de defender a saída do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo a Polícia Militar, cerca de 5 mil manifestantes participaram da mobilização.

Nas redes sociais, parlamentares da base bolsonarista, como os deputados Débora Menezes e Delegado Péricles, além dos vereadores Capitão Carpê e Sargento Salazar, convocaram seus apoiadores e participaram ativamente do ato. Em cima de um trio elétrico, os políticos fizeram discursos inflamados, criticando decisões judiciais e acusando o Judiciário de censura e perseguição. Em uma das falas mais exaltadas, o vereador Salazar chegou a fazer ofensas diretas ao ministro Alexandre de Moraes, reforçando o tom de hostilidade já presente em manifestações similares pelo país.

O ato em Manaus ocorreu em paralelo a protestos semelhantes em outras capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o que indica uma articulação nacional em torno da pauta bolsonarista. A mobilização também acontece dias após os Estados Unidos imporem sanções diplomáticas ao Brasil, com críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal, o que tem sido explorado por setores mais radicais como sinal de apoio internacional às suas reivindicações.

Mesmo ausente fisicamente, Jair Bolsonaro segue como figura central nesses atos. Impedido de deixar Brasília nos fins de semana por decisão judicial, o ex-presidente tem sido citado como “vítima de perseguição política” e “símbolo de resistência” por seus apoiadores. O movimento também expõe o racha institucional entre parte do Legislativo e o STF, alimentando o discurso de ruptura democrática.

Em meio a esse cenário, especialistas alertam para os riscos do acirramento da polarização, especialmente quando envolvem discursos que questionam a legitimidade das instituições e promovem desinformação. O Ministério da Justiça acompanha os desdobramentos dos protestos e reforçou que atos antidemocráticos serão tratados com rigor legal.

O clima político segue tenso, e as manifestações indicam que, mesmo fora do poder, o bolsonarismo mantém sua capacidade de mobilização – agora, com foco na deslegitimação de adversários e instituições.

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