MPF dá prazo de 10 dias para Sejusc e Caixa apresentarem cronograma de retomada da Casa da Mulher Brasileira em Manaus

Com obras arrastadas há mais de uma década, órgão federal exige reinício dos trabalhos em 45 dias sob pena de aumento de multa diária de R$ 100 mil e acusação de desobediência.

Manaus (AM) – O Ministério Público Federal (MPF) subiu o tom e expediu um despacho cobrando providências imediatas para que as obras da Casa da Mulher Brasileira de Manaus sejam finalmente retomadas. O documento estabelece um prazo rígido de dez dias para que a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e a Caixa Econômica Federal (CEF) apresentem um cronograma detalhado de reinício e conclusão das obras.

De acordo com a determinação do órgão, as obras devem ser reiniciadas em no máximo 45 dias e concluídas no prazo limite de um ano, cumprindo integralmente a sentença da Justiça Federal sobre o caso. A decisão é fruto de uma ação civil pública movida pelo MPF, que responsabilizou a União e o Estado do Amazonas pela omissão prolongada na entrega do projeto na capital.

Caso a Sejusc e a Caixa Econômica Federal ignorem ou descumpram o prazo de dez dias estipulado, as consequências financeiras e jurídicas serão duras. O MPF solicitará à Justiça o aumento da multa diária, que atualmente já está fixada no valor de R$ 100 mil. Os gestores públicos responsáveis pelas duas instituições podem ser denunciados e enquadrados pelo núcleo criminal do MPF por crime de desobediência.

Jogo de empurra trava publicação de edital
O despacho do MPF ocorre em meio a um impasse burocrático entre o Estado e o banco federal. Em resposta ao órgão, a Sejusc argumentou que já concluiu os estudos técnicos e atualizou toda a documentação estrutural do projeto.

Contudo, a secretaria estadual alega que a publicação do novo edital de licitação, para contratar a empresa que vai concluir o prédio, está travada porque a Caixa Econômica ainda não realizou uma nova vistoria técnica no local e não homologou a reprogramação físico-financeira da obra.

Obras se arrastam desde 2014 enquanto violência doméstica cresce
A Casa da Mulher Brasileira de Manaus foi idealizada para ser um centro integrado de atendimento humanizado, reunindo em um único espaço: delegacia especializada, Defensoria Pública, Ministério Público, Juizado de Violência Doméstica e atendimento psicológico e assistencial. O objetivo central é evitar que a mulher vítima de violência tenha que peregrinar por diferentes órgãos, reduzindo a chamada revitimização.

Embora o Amazonas tenha recebido os primeiros recursos federais para o projeto ainda em 2014, a construção foi abandonada e, mais de dez anos depois, segue inacabada.

Enquanto a estrutura física segue abandonada, a violência de gênero no Amazonas avança em ritmo alarmante. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM) revelam que, apenas entre janeiro e maio de 2026, os casos de lesão corporal contra mulheres cresceram 22,3% no estado em comparação ao mesmo período de 2025, saltando de 2.119 para 2.591 ocorrências registradas.

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