Manaus (AM) – O naufrágio da embarcação Almirante Moreira provocou a perda total de 16 cilindros de oxigênio medicinal que eram transportados para a Unidade Hospitalar Vó Mundoca, localizada no município de Borba (a 151 quilômetros da capital). O acidente, ocorrido no dia 24 de setembro durante a navegação pelo Rio Madeira, foi formalmente citado pelo Governo do Estado como um dos episódios fundamentais para a decretação de situação de emergência na saúde pública do Amazonas.
O decreto, assinado pelo governador Roberto Cidade no dia 26 de outubro e válido por 180 dias, reconhece oficialmente que a estiagem severa e a consequente redução do calado dos rios têm provocado acidentes fluviais graves, comprometendo o abastecimento contínuo de insumos hospitalares e medicamentos no interior.
Segundo informações confirmadas pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), os cilindros naufragados seriam utilizados de forma imediata na manutenção do suporte de vida de pacientes internados na calha do Madeira e no atendimento de urgências e emergências hospitalares na sede municipal.
Além da perda registrada no trajeto para Borba, o texto normativo assinado pelo Executivo estadual aponta episódios análogos que inviabilizaram a entrega de remessas essenciais de insumos médicos nos municípios de Itamarati e Eirunepé, ambos localizados na calha do Rio Juruá.
O documento oficial destaca no embasamento técnico:
“CONSIDERANDO os registros de acidentes fluviais documentados nos Municípios de Itamarati, Eirunepé e Borba, com relatos de perda ou comprometimento de cargas destinadas à assistência à saúde, incluindo medicamentos, insumos, produtos para saúde e cilindros de oxigênio medicinal”.
Impactos da Estiagem na Assistência Hospitalar
A inclusão dos acidentes com cargas de saúde entre as justificativas da norma emergencial expõe o gargalo operacional vivido pelas redes públicas municipais e estaduais com o recuo histórico dos rios amazônicos.
Com a vigência da situação de emergência por seis meses, o Estado obtém amparo legal para agilizar contratações diretas, reformatar rotas de transporte de urgência — incluindo o uso de modal aéreo para cargas críticas — e garantir a recomposição célere dos estoques de oxigênio e medicação nas unidades hospitalares das calhas mais afetadas pela seca.










