Belém (PA) – A Noruega vai investir cerca de US$ 3 bilhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Facility – TFFF), mecanismo multilateral proposto pelo Brasil para financiar a conservação de florestas tropicais em todo o mundo.
A informação foi confirmada à agência Reuters por fontes presentes na Cúpula de Líderes realizada nesta quinta-feira (6) em Belém, que antecede oficialmente a abertura da COP30, conferência do clima das Nações Unidas.
Mais cedo, Portugal afirmou também que injetará 1 milhão de euros no mecanismo e a Alemanha sinalizou apoio ao fundo, mas ainda não definiu o valor que pretende aportar.
Ainda segundo a agência, o chanceler Friedrich Merz, que participa da cúpula em Belém, considera a proposta “muito interessante” e deve discutir o tema diretamente com o presidente Lula.
O fundo, apresentado pelo governo brasileiro em abril e lançado oficialmente agora, busca criar uma estrutura permanente de financiamento para florestas tropicais, tratando sua preservação como um ativo global e não apenas uma responsabilidade dos países que as abrigam.
A Noruega é historicamente um dos principais financiadores de políticas ambientais internacionais.
O país já foi o maior doador do Fundo Amazônia, que apoia projetos de combate ao desmatamento e conservação no Brasil.
O TFFF é tido como uma das principais novidades e uma das apostas do governo brasileiro para incentivar a conservação ambiental.
O objetivo é criar um sistema internacional de pagamento para países que mantêm suas florestas em pé, valorizando o papel dos países tropicais na regulação do clima e na absorção de carbono.
ENTENDA: O TFFF aplica a lógica de mercado ao financiamento climático. O fundo pretende captar cerca de US$ 125 bilhões em investimentos privados. Esse capital será reinvestido em projetos com maior taxa de retorno, e a diferença entre o que é pago aos investidores e o que é obtido nessas aplicações (o chamado spread) será destinada a remunerar financeiramente países que preservam suas florestas tropicais, de forma proporcional à área conservada.
Na prática, o plano, anunciado inicialmente pelo presidente Lula e pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, propõe que países com grandes áreas de floresta tropical, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, sejam remunerados pela conservação dos biomas.
A ideia é que o mecanismo funcione como uma espécie de “renda florestal global”, atraindo investimentos públicos e privados para compensar o valor econômico de manter a floresta viva e não derrubá-la.










