Padre Fábio de Melo expõe depressão crônica: ‘Não acordo feliz’

Padre Fábio de Melo

Mesmo nos momentos em que a vida parece estar no melhor caminho, a felicidade nem sempre chega junto. Padre Fábio de Melo falou sobre essa realidade ao abordar sua convivência com a depressão crônica durante entrevista ao programa “Sem Censura”, da TV Brasil, exibido na quinta-feira, 15 de outubro. Com franqueza, o religioso descreveu como a condição interfere em sua rotina, nas decisões e até na maneira como começa o dia.

“Eu posso estar no melhor lugar do mundo, mas não acordo feliz. É meu, é uma sombra que eu levo, e eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha criatividade”, afirmou. A declaração mostra como ele percebe a presença constante da doença, sem ignorar os desafios que ela impõe.

Padre relata mudanças de disposição ao longo do dia

Durante a conversa, Fábio explicou que seu estado emocional pode mudar bastante de uma noite para a manhã seguinte. Embora consiga se sentir animado e fazer planos antes de dormir, nem sempre mantém a mesma disposição quando acorda.

“Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava superfeliz, no outro dia eu amanheço arrependido”, contou.

O relato expõe uma dificuldade que, para ele, vai além de uma simples mudança de humor. A depressão crônica acompanha o religioso há anos e exige atenção constante, inclusive para lidar com decisões e compromissos cotidianos.

Religioso fala sobre os efeitos dos medicamentos

Padre Fábio tornou público o diagnóstico de depressão crônica em 2018. Na ocasião, também falou sobre uma crise depressiva grave que havia enfrentado no ano anterior.

Na entrevista, ele recordou o período em que utilizava muitos medicamentos e explicou que, embora parecesse bem aos olhos dos outros, sentia falta de algo importante em sua experiência emocional.

“Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo para os outros. Já acordava felizinho, não tinha conflitos, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. E eu não quero isso”, declarou.

A fala revela uma questão delicada no tratamento: encontrar um equilíbrio que ajude a controlar os sintomas sem desconsiderar a experiência subjetiva de cada pessoa. O próprio padre afirmou que acertar a medicação e a dosagem contribuiu para que conseguisse lidar melhor com a depressão, embora os desafios permaneçam.

Depressão crônica exige cuidado contínuo

Ao falar sobre sua experiência, Fábio de Melo também chama atenção para a complexidade da saúde mental. A depressão não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas e pode afetar energia, motivação, sono, decisões e a capacidade de sentir prazer.

Por isso, o acompanhamento profissional e a adaptação do tratamento são importantes. Mudanças na medicação, por sua vez, devem ocorrer com orientação médica.

Ao compartilhar sua vivência, o religioso oferece um retrato pessoal de uma condição que nem sempre é visível para quem está de fora. Afinal, aparentar estar bem não significa, necessariamente, que alguém deixou de enfrentar dificuldades emocionais.

Fonte: O Fuxico

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