Manaus (AM) – A empresa Pam Plástico, localizada na rua Javari, no Distrito Industrial, em Manaus, é alvo de denúncias de funcionários que afirmam ter sido obrigados a permanecer no trabalho durante o vazamento de gás estireno registrado na tarde de quarta-feira (15/7), na empresa Innova, situada nas proximidades.
Segundo relatos de trabalhadores, enquanto empresas vizinhas foram orientadas a evacuar suas instalações por determinação das autoridades, a Pam Plástico manteve as atividades normalmente. Os funcionários do segundo turno permaneceram no local até as 23h, quando houve apenas a troca de turno para os colaboradores do terceiro turno.
“Ontem o cheiro já estava muito forte, mas só as empresas ao lado foram evacuadas. A nossa continuou funcionando normalmente até às 23h”, relatou um funcionário, que preferiu não se identificar.
Na manhã desta quinta-feira (16/7), a empresa divulgou um comunicado interno afirmando que o vazamento de gás estireno estava “sob controle” e que “todo o ambiente está seguro, apropriado e liberado para trabalho”. No aviso, a empresa informou que apenas as colaboradoras gestantes dos 2º e 3º turnos estavam dispensadas das atividades por medida preventiva, enquanto os demais funcionários deveriam comparecer normalmente ao expediente.

Entretanto, de acordo com os trabalhadores, o forte odor do produto ainda era percebido nas dependências da fábrica. Eles afirmam que, após a chuva registrada durante a madrugada, o cheiro se intensificou e diversos colaboradores começaram a apresentar sintomas de intoxicação.
Entre os relatos estão casos de mal-estar, dores de cabeça, falta de ar, tontura, náuseas e até convulsões. Uma funcionária que havia passado recentemente por cirurgia também precisou ser socorrida após passar mal durante o expediente.
Os trabalhadores foram encaminhados ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Coroado. Segundo relatos, a unidade ficou sobrecarregada com o grande número de pacientes. Funcionários afirmam que profissionais de saúde passaram a orientar novas vítimas a procurar atendimento em outras unidades, como os serviços da Zona Sul, devido à lotação.
Até o momento, a Pam Plástico sustenta, por meio do comunicado interno, que o ambiente de trabalho estava seguro e liberado para as atividades. As denúncias dos funcionários, no entanto, divergem da versão apresentada pela empresa e apontam que o retorno ao expediente ocorreu mesmo com a persistência do odor de gás e o surgimento de casos de intoxicação entre os colaboradores.
As autoridades competentes devem apurar as circunstâncias do caso, incluindo as condições de segurança adotadas pelas empresas após o vazamento e o atendimento prestado aos trabalhadores afetados.










