A Portela será a terceira escola a entrar na Marquês de Sapucaí neste domingo, 15 de fevereiro. O desfile deve começar entre 0h55 e 1h15, com uma proposta que mistura espiritualidade, memória e resistência negra.
O enredo, intitulado “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, parte de uma narrativa simbólica. A história se abre na escuridão, com uma vela rompendo o breu, enquanto o Negrinho do Pastoreio surge como guia pelos Pampas, levando luz a quem perdeu algo pelo caminho.
A coroa escondida na memória do Sul
Durante sua jornada, o Negrinho encontra uma coroa carregada de significado. Não se trata apenas de realeza, mas também de dor, luta e ancestralidade. Por isso, ele leva o objeto até Bará, orixá das encruzilhadas e dos recomeços.
Bará, então, pede que o Negrinho revele o que viu. Assim aparece a figura de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe africano do Benin, também conhecido como Osuanlele Okizi Erupê. Perseguido e exilado, ele atravessa o oceano e chega ao Brasil, primeiro pela Bahia, depois pelo Rio, até fincar raízes no Rio Grande do Sul.
O príncipe que virou símbolo de resistência
Nos Pampas, Custódio se transforma em liderança espiritual e social. Ele acolhe, orienta e reúne um povo negro recém-liberto que buscava sobreviver em meio ao apagamento. Além disso, sob imagens de santos e dentro das capelas, ele une diferentes nações africanas, como Oyó, Jeje, Nagô e Ijexá.
Dessa mistura nasce o Batuque, religião do Sul marcada por axé e resistência. Mesmo após seu encantamento, a presença do príncipe permanece nos terreiros, nos cruzeiros de Bará, nas procissões e no som dos tambores.
Ao final, Bará revela o segredo: a coroa não pertence apenas ao passado. Ela segue como semente viva, carregada pelo Negrinho e por todos que mantêm a memória acesa.
Fonte: O Fuxico









