Manaus (AM) – A greve dos rodoviários que afeta a população de Manaus pelo segundo dia consecutivo, nesta terça-feira (21/7), deflagrou uma intensa troca de acusações e embates políticos entre a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas. Em coletiva de imprensa, o prefeito Renato Júnior atribuiu a responsabilidade pela paralisação ao governo estadual, apontando atrasos nos repasses do Passe Livre Estudantil. Horas depois, o Poder Executivo estadual reagiu, anunciou o depósito de R$ 18 milhões para tentar encerrar a crise e expôs documentos que apontam dívidas do próprio município com as empresas de transporte.
Durante pronunciamento pela manhã, Renato Júnior classificou a falta de repasses do Estado em 2026 como “calote” e afirmou que a Prefeitura cumpriu 100% de suas obrigações financeiras no ano, tendo injetado R$ 284 milhões para subsidiar a tarifa ao usuário em R$ 5,00, evitando que o valor chegue ao custo técnico real de até R$ 9,00.
De acordo com o prefeito, a dívida acumulada pelo Estado relativa à rede estadual alcança R$ 44 milhões. Renato ainda desafiou a gestão do governador Roberto Cidade (que cumpre agenda em São Paulo) a realizar uma auditoria nas contas do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
“Todas as nossas obrigações do ano de 2026 a Prefeitura de Manaus cumpriu 100%. Pagamos até o dia 5 e até o dia 20, todos os meses regularmente. O governador está devendo o repasse do passe livre dos alunos do Estado. Se tem dúvida, chama o Sinetram e faça uma auditoria. Eu também quero que faça, não tenho rabo preso”, declarou o prefeito.
Governo anuncia depósico de R$ 18 milhões
Em resposta às declarações do município, o Governo do Estado convocou uma coletiva na parte da tarde, conduzida pelo vice-governador Serafim Corrêa. A gestão estadual anunciou que autorizou a Seduc e a Sefaz a efetuarem, nas próximas 24 horas, o depósito de R$ 18 milhões na conta do Sinetram — referente à meia-passagem (R$ 2,50) de fevereiro a julho de 2026.
Serafim explicou que o repasse de R$ 3 milhões mensais não havia sido efetuado anteriormente porque o Sinetram se recusava a receber o valor arbitrado pela Justiça (R$ 2,50), exigindo o pagamento com base na tarifa técnica integral (entre R$ 8 e R$ 9).
“A decisão judicial foi para que o Estado pague R$ 2,50, que é a meia-passagem. Só que o Sinetram decidiu não se habilitar para receber esse valor, gerando transtornos. Para encerrar o problema e contribuir na solução, autorizamos o depósito dos R$ 18 milhões. Com isso, consideramos encerrada a situação relativa ao Governo”, pontuou Serafim.
Documento Revela Cobrança Milionária Contra a Prefeitura
Para rebater a tese de que a Prefeitura não possui pendências financeiras com o sistema, a equipe do Governo do Estado distribuiu aos jornalistas a cópia de um Mandado de Segurança da Justiça do Trabalho (0000546-19.2026.5.11.0000), movido pelo próprio Sinetram em 7 de julho de 2026.
No documento judicial, o sindicato das empresas alega que a Prefeitura de Manaus possui um passivo acumulado de R$ 190,4 milhões com o sistema de transporte, referente a parcelas de subsídios não pagas entre 2025 e 2026.
A reportagem solicitou um posicionamento oficial da Prefeitura de Manaus sobre a dívida citada na ação judicial movida pelo Sinetram. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada assim que houver retorno.










